Em breve sai o primeiro livro deste blogueiro: “Canções para ninar adultos”

Algumas pessoas colecionam selos, lágrimas, tampas de garrafa, sonhos, maços de cigarro ou discos. Já conheci até quem colecionasse embalagens de pasta de dente. Eu coleciono livros. Ou melhor, dedicatórias em livros. (O Homem que colecionava dedicatórias, Fred Di Giacomo)

Versão 2 da capa, com ajuda do designer Thiago Lacaz

É isto mesmo amiguinhos, este blogueiro aqui acaba de fechar com a Editora Patuá o lançamento de seu primeiro livro: “Canções para ninar adultos”, reunindo 22 contos. O livro será no formato de compacto (como os velhos singles em vinil) e os contos serão divididos em Lado A (histórias com pitadas de fantástico) e lados B (contos mais realistas; feios, sujos e malvados). No final do livro, um cardápio irá indicar algumas canções para ouvir durante a leitura. (A seleção vai do rap dos Racionais à música clássica de Dvorák, passando por Rapture, Otto, Bob Dylan e Count Basie). A orelha deve ser escrita pelo jornalista e escritor Xico Sá. Deve sair em setembro, se os ventos do sul continuarem a soprar quentes.

A cabeça resistia, afundada nos sulcos cheirosos que marcavam o travesseiro dela. A maciez da cama era o único refúgio para felicidade do mundo. Pensar no futuro o enchia de ansiedade, e ansiedade leva os fracos a trilhar os caminhos do medo. Kiko era fraco, feminino e fixado na ideia de que a a busca pela felicidade era a grande cruzada de sua vida. (Também gostava de Legião Urbana, o que negava veementemente.) (Instant Happiness, in “Canções para ninar adultos”)

Primeira versão da capa pro livro.

Das águas lodacentas da tristeza, levantou-se o primeiro homem inteiro a enxergar aqueles tempos novos.  (Gênesis, in “Canções para ninar adultos”)

-Saiba mais sobre o livro no blog oficial

Pra abrir o apetite um miniconto que estará no Lado B do disco, digo, do livro:

Paulo Coelho
Pôde, enfim, dormir tranquilo
– o fatigado alquimista
Quando redigiu seu primeiro fracasso.

Uma saudade de vô no 9 de julho

Hoje é 9 de julho, aniversário da “Revolução Constitucionalista de 1932”. Meu avô materno era veterano dessa guerra, e suas histórias eram bem quixotescas, pelo que lembro, eles mais fugiam de tiro do que atiravam. Acho engraçado que tendo participado desse “levante paulista” contra o Getúlio, o Dr. Fausto Di Giacomo também contasse histórias em que concluía que Getúlio tinha sido um grande cara, esperto, que ajudava os pobres, etc.

Pelo jeito guerras não fazem muito sentido mesmo. Mesmo pra quem luta nelas.

Colo de vô com minha prima Anninha

Reflexões d’um blogueiro anônimo – Fred Di Giacomo

originalmente postado 7 de Setembro de 2010

Caía em tentação: pastéis ou livros?

Pra parecer uma pessoa legal, mantinha um blog com atualizações diárias. Bolava um conto revolucionário que usasse alguma nova rede social, talvez o Formspring, talvez o Google Maps. Quando era moleque gostava de fantasiar que era um gênio pra justificar falta de mulher: “Algum dia, todas vão querer dar pra mim, só basta elas saberem tudo que tenho aqui dentro”. E o que havia ali dentro? Azia? Gases? Alguns Nuggets?

Molhava a bolacha maizena no café preto, imaginando estar em Paris. Farelos se aglomeravam no fundo da xícara; papinha. Quando pequeno, o prazer era meter o biscoito na xícara dos pais. Eles achavam graça. Até ele fazer 7 anos. Aí era “pára, moleque chato”.
Gostava de baixar músicas na internet. Dava uma sensação de transgressão. Tipo roubar no supermercado. “The National é a melhor banda da atualidade”. Ouvia baixinho, lembrava Smiths. “Quem não gosta de Smiths bom sujeito não é.” Né?

***
(No boteco intelectual paulistano)
_ Tem pastel de quê?
_ Agora tem só de palmito.
_ O mais foda é o de carne seca, né?
_ Ah, o de carne de sol saí muito. Mas o de queijo também é bom.
_Qual o Marçal Aquino pede?
_Quem?
_O escritor. Aquele que fez o “Invasor”
_ O Fábio Bá?
_É Fábio Moon, e ele escreve quadrinhos. O Marçal tem barba e é mais velho.
_Sou novo aqui, desculpe.

“Pô, olha lá. O Xico Sá chegou. Eu queria ser jornalista igual ele. Não faz plantão, escreve o que der na telha e compõe umas músicas com o Mundo Livre.” Todo jornalista é um artista frustrado. Será? Tem uns que querem ser William Bonner… Ele não era jornalista. Nesse erro não caíra. Estudava História -na USP. Tava no quinto ano. Você não sabe como é difícil se formar em quatro lá na USP, tem muitas optativas. Na real, se formar cedo pra quê? Dar aula? Pô, professor hoje em dia é carcereiro. De que adianta ter tido aulas com a Marilena Chauí? De que adianta saber quem foi o Florestan Fernandes. Os moleques escrevem quiseram com Z. Aliás, os professores escrevem quiseram com Z. “Meu pai tava certo?” Dizia o velho:

_ Estude direito e preste um concurso. Depois você faz história como hobby.

Ta quase pensando em desistir de ser escritor. Escrever dá trabalho pra cacete. “Acho que sempre estou uns dois episódios atrasados na vida. Talvez a melhor forma de parecer legal agora fosse um tumblr, não um blog. Olha só, o Daniel Galera ta aí também. Eu acho que consigo escrever melhor que ele. “ Pensa em escrever um  sobre o Xico Sá e mandar pro cara. “Xico Sá, o único jornalista feliz”. Se ele deixar um comentário lá no blog será a glória.

“Deixe esse bolo de ameixa e vem mexer. Comigo.”

_ Posso pegar essa cadeira ou vem mais alguém aí? _ pergunta o garçom novato, forte sotaque paraibano.
Hoje não vem ninguém. Tá todo mundo duro lá na História. Aqui é bem legal. Tem um sebo dentro do bar. Cheiro de livro. Se ficar rico, vai comprar todos os livros que sonhou. Poesia no Twitter? Já fizeram. Os caras todos usam barba e camisa xadrez. Camiseta é coisa de moleque, de blogueiro. “Porra, a vida seria muito mais fácil se eu tivesse nascido bonito. Aí, eu não precisava escrever nada, tirava umas fotos e virava Colírio.”
***
No fundo tudo que a gente faz é pra conseguir sexo. Né, não?

Queria ter o trabalho e as mulheres de Xico Sá.

 

-Mais desses continhos exóticos
-O dia em que tentei matar Paulo Coelho

TIC-TAC, o maior anão do mundo.

publicado originalmente em 2 de Outubro de 2007

Tic-Tac, tic-tac. O anão. Ah, não! Não cabia mais em seu próprio corpo. Sentia medo, sentia amor, sentia idéias novas e sentia muito.
Tic-Tac, tic-tac. Era o coração do anão batendo. Coração gigante, que já não cabia naquele peitozinho frágil.
Tic-Tac, tic-tac. O maior anão do mundo era o menor gigante também. Um pequeno homem com alma de titã.
Tic-Tac, tic-tac. A cabeça doendo, o sexo querendo. O coração desejando. Era os minutos no relógio , a batida do Carnaval, os tiros no morro.
Tic-Tac, tic-tac. Seu corpo já não agüentava o peso da alma, a força das asas. O espírito queria lhe fugir pela boca. O pequenino o segurava com as mãos. Fechava os dentes para não cuspir o âmago.
Tic-Tac, tic-tac.Caminhava rápido pela rua, virando depressa como sempre. Sentia-se mal, sentia-se…
Tic-Tac, tic-tac. E finalmente aconteceu, como um orgasmo eletrônico. Agora feliz percebeu: crescia sem parar.
Tic-Tac, tic-tac. BUM! Explodiu numa noite carioca o primeiro homem bomba do subúrbio fluminense.
06/02/05.

Um anão terrorista do mundo real

 

Esperando pelo meu homem

_Nossa! Já são dez horas e o Jorge não passou aqui ainda. Hoje eu to que nem aquela música do Velvet Undeground… I´Waiting for my Man.
_Carol, essa música não é sobre amor. È sobre droga. O Lou Reed fez pro traficante dele.
_Ah…

_Bom, mas sei lá, o Lou Reed era meio veado, né? Às vezes ele namorava o traficante…
_É, vai saber. Coloca a roupa que seu homem deve estar chegando

 

lou-reed-esperando-meu-homem

Pênis voadores na bunda de políticos heterossexuais.

-Já sei qual será nossa arma na revolução bem-humorada
-Diga companheiro
-Pênis voadores na bunda de políticos.
-Qual o problema com um pênis na bunda de político? Companheiro, se a revolução bem-humorada for homofóbica estou fora.
-Calma, eu não completei. Pênis voadores na bunda de políticos heterossexuais.
-He, he, he.
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Não acreditar na raça humana, acreditar nos homens.

Acreditar nas surpresas do futuro, sem nomes.

Este é o tempero da vida. Se informe!

kasparov

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