Livros que eu li em 2011 – Retrospectiva

Eu gosto de listas e gosto de livros. Por isso faço essa retrospectiva todos os anos, que me dá uma sensação de “que legal, não gastei todas minhas horas livres no bar.” Livros são aulas com os melhores professores da humanidade e diálogos com caras que você não encontra fácil no boteco da esquina. Acho que esse ano fiz as pazes com alguns clássicos, descobri alguma coisa de literatura contemporânea e me dediquei um pouquinho à teorias de web/games.

-Livros que li em 2010


39)Lord of the Flies,
William Golding***
38)Caprichos e Relaxos, Paulo Leminski *****
37) Religião para Ateus, Alain de Botton *****
36) Alguma Poesia, Carlos Drummond de Andrade *****
35) José, Carlos Drummond de Andrade ****
34) A Rosa do Povo, Carlos Drummond de Andrade ***
33) A Theory of Fun for Game Design, Raph Koster *** */*
32) Lolita, Vladimir Nabokov *****
31) Tartufo, Moliére *** */*
30) A insustentável leveza do ser, Milan Kundera *****
29) Livro das Perguntas, Pablo Neruda ***
28) Máquina de Pinball, Clarah Averbuck, ****
27) Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, Mia Couto *****
26) O primeiro terço, Neal Cassady *
25) O Guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adams** */*
24) Ficções, Jorge Luis Borges ****
23) A Arte da Guerra, Sun Tzu **
22) Crash: uma breve história da economia – da Grécia Antiga ao século XXI, Alexandre Versignassi *****
21) Mingutas, Edson Veiga Jr. *** */*
20)A invenção de Morel, Adolfo Bioy Casares ****
19) A Noite do Oráculo, Paul Auster ****
18) Obra Completa, Murilo Rubião *** */*
17)Women, Charles Bukowski *****
16)Carnaval, Manuel Bandeira ***
15) Mar Inquieto, Yukio Mishima ***
14) Beat Memories: The Photographs of Allen Ginsberg, National Gallery of Art ****
13) Vida, Keith Richards **
12)Sonetos do Amor Obscuro e Divã do Tamarit, Federico Garcia Lorca ***
11)1984, George Orwell *****
10)Hamlet no Holodeck – o Futuro da Narrativa no Ciberespaço, Janet H Murray ***

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

9) As entrevistas da Paris Review, vários *****
8)O convidado Surpresa, Grégoire Bouillier *** */*
7)Viagem ao fim da noite, Louis Ferdinand Céline ****
6)Os anões, Verônica Stigger ** */*
5)El Cartero de Neruda, Antonio Skármeta ***


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4)A vida de Pi,Yann Martel *****
3)O livro de Haicais, Mario Quintana ***
2)Antologia Breve, William Carlos Williams ***
1)Hells Angels, Hunther S. Thompson ****

“O Primeiro Terço” – Neal Cassady: Ícone beat escreve o pior livro de sua geração.

Diversos autores podem se acotovelar para decidir quem foi o cérebro da geração beat, mas seu rosto é definitivamente do malandro Neal Cassady (8 de fevereiro de 1926 – 4 de fevereiro de 1968).

Timothy Leary -o papa do LSD - e Neal Cassady no busão de Ken Kesey

Bonito, durão, amante da velocidade dos carros e das mulheres, esse James Dean da vida real foi o “muso” beatnick. Provavelmente nenhum cidadão comum teve sua história tão contada em livros clássicos quanto Cassady. O que o deixou famoso foi “On The Road”, obra prima de Jack Kerouac, em que Cassady inspirou o protagonista Dean Moriarty. Neal também aparece como N.C. em diversos poemas de Allen Ginsberg (inclusive “O Uivo“) e em livros de Ken Kesey (autor de “Um estranho no ninho”). Cassady foi motorista do ônibus psicodélico de Kesey nos anos 60 e ganhou uma edição de homenagem na revista editada pelo escritor, “Spit in the Ocean”. Além das citações em poesias, Allen Ginsberg – de quem Neal foi amante (sim ele também traçava homens) – tirou diversas fotos do anti-herói que acabaram  impressas em seu livro fotográfico “Beat Memories“. Por fim, Bukowski escreveu o epitáfio literário de Cassady, logo após esse ter sido encontrado morto no deserto mexicano. O conto está no livro “Notas de um velho safado.” Vale ressaltar que Neal era um dos poucos personagens da geração beat que o velho safado admirava.

Capa do livro "O Primeiro Terço", lançado pela L&PM.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas  isso aqui não é uma resenha literária? Precisamos falar tanto da vida do autor de “O primeiro terço”? Sim, e é justo dizer que a principal obra de Cassady foi sua vida. “O primeiro terço” é um romance autobiográfico que relata a infância do autor em meio à pobreza dos Estados Unidos pós-crash da bolsa. Tem esse nome porque seria uma das três partes da autobiografia de Cassady, mas o escritor morreu antes de começar os outros dois livros e só deixou algumas cartas e fragmentos como espólio. Pelo relato histórico de um período importante na história americana e como curiosidade para os fás de literatura beat é válido. Mas como literatura não se sustenta. A linguagem em geral é pobre, em alguns momentos truncada e não se compara às obras das “melhores mentes de sua geração“. Tanto que na introdução da obra, o poeta e editor Lawrence Ferlinghetti dá esse “desconto” para a prosa de Cassady, deixando um clima de isso “é mais importante do que bom”. O autor tem alguns lampejos, em que parece encontrar sua voz, especialmente nas cartas para Kerouac, incluídas como anexo no final do livro. Para os interessados no assunto é um bom jeito de entender melhor o fascínio despertado por esse malandro fã de Proust em toda uma geração de intelectuais.

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Neal Cassady e a mulher, em foto do poeta Allen Ginsberg

 

“Beat Memories” – Allen Ginsberg

Burroughs e Kerouac trocam ideia no sofá

Toda quinta, selecionamos artistas underground e projetos pulsantes

O poeta Allen Ginsberg tinha o poder de captar imagens fotográficas com palavras. Mas a caneta não foi seu único instrumento artístico. Munido de uma máquina fotográfica ele retratou seus amigos e companheiros de copo e versos, ninguém menos que Burroughs, Jack Kerouac, Neal Cassidy e outros nomes fodas da geração beatnik.

Jack Kerouac em foto que virou capa do livro

-Conheça a obra-prima “O uivo” de Allen Ginsberg

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Neal Cassady posa na frente do cinema com a mulher

“Não devemos nada você” – Resenha do livro de Daniel Sinker

-Conheça a autobiografia de Dee Dee Ramone

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As coisas à sua volta acontecem muito rápido, você está ansioso pra fazer alguma coisa, mas não sabe por onde começar? Calma! Respire, compre (baixe ou roube) o livro “Não devemos nada a você” e leia todas as 30 entrevistas até o final. Pronto, agora você pode montar sua banda, seu coletivo, sua ONG ou sua própria gravadora. Você pode até mesmo sonhar em mudar o mundo e ter exemplos concretos de gente que trabalhou pra isso.

Inspiração é o que transborda das quase 300 páginas de conversas com figuras importantes da cena punk/alternativa americana que falaram com a revista Punk Planet, em seus 13 anos de vida. E lá estão veteranos do punk rock como Jello Biafra(ex-Dead Kennedys) e Ian Mackaye(ex-Minor Threat e Fugazi), mas também grupos novos como The Gossip e Los Crudos. Artistas hype como Miranda July, pensadores como Noam Chomsky e produtores como Steve Albini. Todos unidos pela vontade de fazer as coisas de forma independente, de achar uma alternativa ao status quo. “Do it yourself” grita para o leitor cada entrevista.

É bacana conhecer uma cena onde punk ou atitude alternativa não são coisas só de meninos rebeldes ou de figuras uniformizadas com moicanos e coturnos(nada contra moicanos, só contra padrões). Muitas das vozes de “Não devemos nada a você” saem de pessoas que vivem daquilo há anos. Que realmente fazem coisas práticas – como ajudar mulheres a abortar ou levar mantimentos para o Iraque – para mudar nossa sociedade. Pra quem se interessa por imprensa alternativa, rock, punk ou cultura independente é item obrigatório. Pra quem não se interessa por nada disso, é uma forma inspiradora de começar.

Leia alguns contos punks, se tiver coragem.

Capa da edição gringa – bem mais bacanuda que a nossa, né?

 

É só isso?
Não, também tem entrevistas com Thurston Moore(Sonic Youth), Bob Mould(Hüsker Dü & Sugar), Black Flag, Kathleen Hanna(Bikini Kill & Le Tigre), Sleater-Kinney, Porcell(Shelter), entre vários outros.


NÃO DEVEMOS NADA A VOCÊ

Organização e edição: Daniel Sinker
Edições Ideal
308 p. / R$ 40
www.idealshop.com.br

Daniel Sinker, criador da Punk Planet

“Viagem ao fim da noite” – Louis-Ferdinand Céline

-Compre o livro “Viagem ao fim da noite” na livraria Cultura e ajude esse blog


Pessimista. Futuro colaboracionista do nazismo. Ácido. Dono de uma escrita crua e erudita ao mesmo tempo. Essa, carregada de neologismo, gírias, palavrões e exclamações em excesso jogadas ali, no meio das palavras. Assim é Céline e assim se desenrola “Viagem ao fim da noite“, seu primeiro e cáustico romance lançado em 1932. Influência seminal de Bukowski, dos beats e, principalmente, de Henry Miller – que rescreveu “Trópico de Câncer” após ler a “Viagem”, Céline inaugura uma nova fase na literatura mundial, dando voz às massas pobres – sem idealizá-las – e escrevendo de uma forma extremamente autobiográfica.
“Quase todos os desejos do pobre são punidos com prisão.”

“Os pobres são privilegiados. A miséria é gigantesca, utiliza para limpar as misérias do mundo a sua cara, como um pano de chão.”

Céline: celebrado pela esquerda no começo de carreira, acabou virando simpatizante dos nazistas

Seu alter-ego, Ferndinand Bardamu, também luta na Primeira Guerra Mundial, vai trabalhar em plantações na África colonial, mora nos EUA e depois – médico formado – clinica nos subúrbios da França. Numa versão mais trágica da vida do autor, Bardamu é medíocre, perde pacientes para as moléstias, vive sem dinheiro, não conhece o amor – só guardando sentimentos carinhosos para a americana Molly e algumas crianças que aparecem no livro.

“Nunca estamos muito pesarosos que um adulto se vá, é sempre um pulha a menos na face da terra, é o que pensamos, ao passo que uma criança é, afinal, mais incerto. Há o futuro.”

Seu companheiro de viagem ao fim da noite é Robinson, trapaceiro que se envolverá até no assassinato de uma senhora, crime muito mais perverso e menos sofrido que o de Raslkolnikov, em “Crime e Castigo”. Robinson e Bardamu fazem dos protagonistas de “On The Road” heróis cheios de glamour. Dão caráter a Macunaíma, o herói que não tinha nenhum. O absurdo da guerra que Hemingway retrata em “Adeus às armas” nunca foi tão nonsense como no começo de “Viagem…” – quando o quase anarquista Bardamu se alista sem nenhum motivo em especial. O retrato da exploração colonial de “Coração das Trevas” de Conrad, parece lírico diante do cinismo e crueza com que Céline descreve o preconceito, a escravidão e o comércio entre brancos e negros. Cada palavra escrita por Céline é uma arma; uma pílula de revolta, ódio e horror.

“Os ricos não precisam matar uns aos outros para comer”.

A de se destacar que este francês está no seleto rol de escritores que realmente inventaram uma linguagem própria. Sua prosa – mesmo traduzida – soa como um dialeto particular, uma tentativa de reproduzir a oralidade e o fluxo de consciência, sem perder a erudição. Um Guimarães Rosa dos becos. O romance explicita o absurdo do imperialismo, do taylorismo e da guerra, sem propor grandes mudanças, saídas ou esperanças. Talvez seja por isso que, para desilusão da esquerda que aclamou seus dois primeiros romances, Céline tenha se tornado colaborador do nazismo na ditadura de Vichy. Sua crítica, ódio incurável e insatisfação niilista o levariam de encontro às soluções populistas de Hitler.

“É triste as pessoas se deitando, a gente percebe muito bem que não ligam a mínima se as coisas andam como gostariam, a gente vê muito bem que não tentam compreender o porquê de estarmos aqui.”

“Quando não se tem imaginação, morrer não é nada; quando se tem, morrer é demais. É essa minha opinião”.

“Nós dois não chorávamos. Não tínhamos nenhum lugar onde pegar lágrimas”.

Outros malditos que a gente adora:

-Henry Miller e o sexo como razão de viver
-Bukowski: o genial bêbado brigão
-Leia algumas poesias marginais

Livros que eu li em 2010 – Retrospectiva

Ainda no clima das listas de final de ano, refaço aqui minha tradicional (hahaha, tradicional mas só interessante pra mim mesmo, provavelmente) retrospectiva de livros que li no ano. Não fui tão nerd quanto em 2009, li um pouco menos e esqueci de ir anotando os livros enquanto ia terminando, mas acho que estão todos aí. Tentei voltar a ler um pouco de teoria, atacando um Marx aqui, um livro sobre jornalismo ali e outro sobre filosofia zen acolá…


25) Poema Sujo, Ferreira Gullar ****

24)Mãos de Cavalo, Daniel Galera *****

23)Newsgame: Jounalism at Play,
Bogost, Ferrari, Schweizer ****

22)O Manifesto Comunista, Karl Marx e Frederick Engels ****

21)Os prisioneiros,
Rubem Fonseca *** */*

20) O Alienista/O Espelho, Machado de Assis ****

19)A Arte de Causar Efeito Sem Causa, Lourenço Mutarelli, ***

18) Noturno do Chile, Roberto Bolaño ***

17)Nosso GG em Havana, Pedro Juan Gutiérrez **** */*

16) O Som e a Fúria, William Faulkner **** */*

15) Lúcia McCartney, Rubem Fonseca ****

14) O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde ****

13) Não devemos nada  a você, Daniel Sinker *****
12)Historia Das Ideias e Movimentos Anarquistas – Vol 1,
George Woodcock *****

11)Uma temporada no inferno, Arthur Rimbaud ****

10) O Amante de Lady Chatterley, D.H. Lawrence ***  *1/2

09)Oficina de Escritores – Um Manual para a Arte da Ficção, Stephen Koch ****

8)O Livro  dos Abraços, Eduardo Galeano *****

7) A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen, Eugen Herrigel ****

6) Septuagenarian Stew,
Charles Bukowski ***

5)Onde vivem os monstros, Maurice Sendak *** */*

4)Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley *** */*

3)Cuca Fundida, Woody Allen ***

2) Estação Carandiru, Drauzio Varella *** */*

1)Seis personagens a Procura de um autor, Luigi Pirandello *****

-Resenhas de livros
-Leia alguns contos

Quadrinhos:
7) Cachalote,
Daniel Galera e Rafael Coutinho *****
6) Zap Comix, R Crumb e vários ****
5)Gênesis, Robert Crumb *****
4)Beleléu, vários ****
3)Grito do Povo, Tardi e Vautrin **** */*
2)Complô: A História Secreta dos  Protocolos dos Sábios do Sião,
Will Eisner *****
1)O Sonhador , Will Eisner*** */*

Cozinha do Inferno: Hellbent for Cooking

Faz um bom tempo que eu não escrevo um post (e o Fred está quase me expulsando daqui), mas foi por um bom motivo: estava ocupado com os preparativos do meu casamento.

Um dos presentes que ganhamos foi o livro Hellbent for Cooking. Já que temos que cozinhar, que seja da forma mais metal possível!

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O livro foi escrito pela canadense Annick Giroux “The Morbid Chef” e traz receitas enviadas por bandas de vários países e estilos, desde o metal mais tradicional do Judas Priest até o black metal do Gorgoroth. Só senti falta de umas bandas mais farofa. HÁ!

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Ela conta que algumas não puderam entrar no livro, pois não poderiam ser testadas por falta ou bizarrice dos ingredientes e ninguém ia realmente conseguir fazer, como o coração de cobra cru com whiskey enviado pelo Surrender of Divinity da Tailândia ou o guisado de cachorro mandado pelo Piledriver do Canadá.

As receitas são divididas em capítulos de acordo com a especialidade, seja carne, cordeiro, drinques ou até vegetariano. O Kreator por exemplo mandou uma receita de hamburguer vegan de aveia.

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Dentre bandas de todo o mundo, duas brasileiras entraram na jogada: Sepultura com seu “churrasco ao molho de soja” e Holocausto com a óbvia “caipirinha”.

O livro tem 224 páginas, é editado pela Bazillion Points que é especializada em heavy metal e não tem versão nacional, mas pode ser encontrado em livrarias online como Amazon por $23.89 + shipping e The Book Depository por $20.17 com free shipping.

Clássicos da literatura erótica – Top 5

-Conto picante: “Sexo virtual, pop e desencontros”

Sexta-feira quente na TV Punk Brega, preparamos um vídeo com os 5 maiores clássicos da literatura erótica. Confira abaixo ou leia o ranking, abaixo do player 😀

 

Tá com preguiça de assistir o vídeo? Confere o top 5 aí embaixo!

5) “Lolita” – Vladimir Nabokov
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4) “Decameron” – Boccaccio
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3) “Henry & June” – Anaïs Nïn
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2) “Trópico de Câncer” – Henry Miller

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1)Kama Sutra – Mallanaga Vatsyayan

O maior clássico da literatura erótica vem da Índia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

-Compre agora: o “Kama Sutra” de Milo Manara

Leia também:
Conto: Mulheres – Anjas Tortas

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