[Atualizado com os vídeos que o Bravo pediu]
Filosofe comigo: Todo mundo gosta de gostar do que nem todo mundo gosta, mas quem importa gosta.
Deu pra entender? Recapitulando: sempre tem alguém que, assim como você, vai achar cool ouvir aquela banda indie islandesa pra você chamar de alma gêmea, mas… E quando você gosta de uma banda que NINGUÉM gosta?
Fiz a listinha abaixo sabendo que, é claro, meia dúzia de desconhecidos vão compartilhar o (mau) gosto comigo. Mas em geral são nomes que eu cito numa roda e a roda fica em silêncio, não porque não conhece as bandas, mas porque acha uma merda mesmo. São bandas, na maior parte dos casos, muito experimentais para serem pop e muito bregas para serem cool. Vamos lá.
Karnak é pra mim a banda mais injustiçada do Brasil. A maioria das pessoas nunca ouviu e não gosta. Já quem simpatiza com o André Abujamra diz que gosta, mas também nunca ouviu. Além de “Juvenar” (hino hippie do último disco, criada em cima da base de “Canon em ré maior do Pachelbel”) e da versão do Zeca Baleiro pra “Alma não tem cor”, pouco se conhece. É uma pena, a banda era uma big band bem-humorada com os melhores músicos de São Paulo, letras engraçadas e um vocalista carismático. Tudo isso com REFRÕES fáceis!
Ouça: O disco primeiro disco “Karnak” e o terceiro “Estamos adorando Tóquio”
Se o mundo fosse justo: Tocaria em todas as rádios.
Em algum lugar entre a psicodelia black do Funkadelic, o sexo movido a slaps do Red Hot e a maconha do Planet Hemp estava o Funk Fuckers, a primeira banda do B.Negão que depois faria um monte de coisas legais no Planet, carreira solo e uma caralhada de parcerias. As letras do Funk Fuckers eram sexistas e sexuais, quase ingênuas, mas sua cozinha sonora era furiosa e dava sustentação pra três vocalistas com swing e carisma. O baixista, Mortadelo “Bass” Gee, fez uma das melhores performances de funk rock brasileiras detonando nos slaps em faixas como “Brasileiro” e “Hold La (Big Pemba)”. Ideal para bailes, festas e afins.
Ouça: O único disco dos caras “Bailão Classe A”.
Se o mundo fosse justo: Teria feito metade do sucesso que os Mamonas fizeram.
A culpa todo é do meu primo Joe, que me apresentou essa PORRADA sonora quando eu, jovem de 19 anos recém completos, passei um mês e meio em Washington. É hardcore sangue no olho direto de Boston. A banda foi formada em 1994, e traz um som mal-educado cantado pela fina flor white trash americana.
Ouça: O disco “Outlaw Anthems” no talo!
Se o mundo fosse justo: Teriam contrato para fazer animação de todas lutas do UFC
Canibal, o líder dos Devotos, chegou a ficar conhecido do grande público por suas participações como boleiro no “Mtv Rock e Gol”, mas poquíssima gente realmente parou pra escutar o som old school dos pernambucanos. Músicas como “Eu tenho pressa”, “Vida de Ferreiro” e “Luz da Salvação” pareciam saídas de um disco clássico do punk nacional dos anos 80, mas com ótima produção (a cargo de Lúcio Maia, da Nação Zumbi) e sotaque nordestino. Devotos deveria estar no Top 5 de qualquer punk brasileiro, mas é difícil até achar suas músicas no Youtube.
Ouça: O disco “Agora tá valendo” inteirinho até furar.
Se o mundo fosse justo: Tocaria nas rádios rock no lugar do CPM22.
5)Zebda
Zebda é um grupo francês engajado que não caiu na graça dos “sujinhos” brasileiros. Formado em Toulouse em 1985, com integrantes de diversas origens e nacionalidades, o som dos caras é uma mistura de rock, reggae, rap, chanson francesa, ritmos latinos e árabes. Os caras ainda lançaram um projeto paralelo difícil de pronunciar, Tactikollectif, onde gravaram versões modernas para diversos clássicos engajados.
Ouça: “Tomber la Chemise” e o disco paralelo “Les Motivés”
Se o mundo fosse justo: Fariam jingles de campanha pra animar o horário político.
Engraçados, barulhentos, toscos e… desconhecidos. Eu mesmo nunca tinha ouvido falar desses “Beach Boys dos três acordes” até 2012. Os vídeos dos caras são uma lindeza só e o som é uma mistura de punk pop, new wave e surf music. Não ouça, ASSISTA!
Assista: “My Beach” e “1984″
Se o mundo fosse justo: Seriam matéria obrigatória nos colégios e internatos.
Outras bandinhas malditas: Cascavelletes, Arrigo Barnabé e Banda Sabor de Veneno, Olho Seco, Faces do Subúrbio, Câmbio Negro, Ska-P, Crass, Sham 69, Thee Butcher’s Orchestra, Richard Hell and The Voidoids…
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