Assista “Tales of Rat Fink” – Documentário sobre “Big Daddy” Ed Roth

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Pra você quem curte carros, cartuns ou contracultura (e entende inglês) o filme abaixo – “Tales of Rat Fink” – é um prato cheio. Em uma hora e catorze minutos mezzobizarros(grande parte das entrevistas foi feita com “carros falantes”), mezzo engraçados, você fica conhecendo a cutltura dos hot rods & kustom cars(carros exoticamente customizados) , algo que transformou nosso tradicionais “objetos de consumo poluentes” em arte – aliás, segundo o filme, a única arte genuinamente americana. Além de liquidar a massificação dos carangos, transformando-os em esculturas únicas, Ed Roth também foi responsável pela criação do anti-Mickey Mouse, Rat Fink, e de outros bichos escrotos que ganharam páginas de revistas, álbuns de figurinha e também camisetas e, claro, carros. Aliás, Ed foi um dos criadores das camisetas com mensagens e ilustrações que todo mundo usa. É que até Ed botar seus monstros nelas, essas peças serviam mais como roupa de baixo.

Movido pela trilha sonora surf music dos The Sadies, o documentário -narrado por John Goodman – aposta numa linguagem pouco tradicional, cheia de animações e que foge dos clichês do gênero.

– Leia mais sobre contracultura

Assista à primeira parte do documentário

Continua aqui ó

publicado originalmente em 2 DE JULHO DE 2010

“Deve ter no estoque” – quadrinho escracha “nova direita brasileira”

Genial quadrinho do site “Dinâmica de Bruto“, do Bruno Maron, escracha os “novos conservadores” brasileiros. Em tempos de “Guia politicamente incorretos”, Veja e partido “Novo” é um alívio que alguém ache tanto pensamento reaça uó. Dica do designer e brother Gabriel Gianordoli.

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“Os Malvados” sacaneia os colecionadores de livros

-Conheça a maior revista que o humor nacional pariu: “Chiclete com Banana”

 

O devorador de livros

-Tá a fim de devorar uns livros?

E eu babaca, continue fazendo lista de livros...

Surrupiei lá do blog dos Malvados. Que tem muitas coisas fofinhas e queridas pras pessoas de boa fé como eu e você.

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– Daniel Lafayette vê os colegas de trabalho.
-Chiclete com Banana: o clássico anárquico do Angeli
-Ódio:  Versão HQ do grunge
-Aline Crumb: musa com cérebro 

Milo Manara: Poeta pornógrafo dos quadrinhos eróticos

A mulher representa a estética em sua pureza. A mulher é a representação da beleza universal. Sempre que desenho uma mulher, estou desenhando um arquétipo. O arquétipo do belo, do desejo, do perverso, do pleno. Milo Manara.
Se essa resenha fosse feita pro Form Spring começaria assim:
Milo Manara é um poeta ou pornógrafo?
Sim, mulheres voluptosamente sensuais. Roteiros divertidos que colocam musas em situações fantásticas, atalhos para um mundo louco de prazer. Ou então, roteiros elaborados por parceiros talentosos como Jodorowsky (a sombria série histórica “Bórgia”), Hugo Pratt (“El Gaucho” e “Verão Índio”) e Federico Fellini (“Viagem a Tulum”). Tá, sem enrolação. Poeta ou pornógrafo? Milo Manara (nascido Maurilio Manara em 13/09/1945) é um artista que sempre teve seu trabalho ligado ao erotismo, desde o comecinho com “Genius” de 1969. É um poeta erótico, já que seu trabalho não é feito só pra excitar o leitor, mas pra contar uma história. (Que te excita do mesmo jeito,viu? :-P) Em entrevista para Rodrigo Fonseca , o artista explica “Eu busco o escândalo sem vulgaridade”. E ataca: “O uso vulgarizado do erotismo pela publicidade me escandaliza. Não consigo aceitar que o sexo possa ser utilizado para vender produtos. Isso é ultrajante.(…) Quando a propaganda segue estratégias narrativas calcadas no erótico, ela resvala no pornográfico. ”
Trechos do sombrio Bórgia – críticas à igreja e ao poder estão incluidas no pacote
Dizer que ele é um mestre da arte erótica é muito mais chato do que qualquer um de seus quadrinhos?
Qualquer análise intelectualóide da obra do italiano vai ser muito mais chata do que folhear um de seus belos álbuns. Para os virgens em Manara, recomenda-se além das obras citadas acima o clássico dividido em 4 partes “Clic” – história de uma espécie de controle remoto que manipula a desejo das mulheres. Para um Manara mais crítico, experimente “Revolução” ataque ao mundo das celebridades e do entretenimento televisivo.

Compre agora:
-Kama Sutra de Milo Manara
-Bórgia: a versão safada da história da família mais famosa da idade média

Baixe e leia:
– As Viagens de Tulum

 

 

 

 

 

 

 

 

X-Men by Manara                                                                Fellini por Manara

Um pouquinho mais de arte erótica:
-Duas HQ’s eróticas que as mulheres tê que ler
-Sexus: Sexo vira literatura de qualidade nas mãos de Henry Miller

-5 vilãs mais sexy da história
-Aline Crumb: musa com cérebro 

 

Maiores maconheiros da ficção – Top 5

Publicado originalmente em 27 de Junho de 2010

por Bárbara dos Anjos e Fred Di Giacomo

Enquanto na vida real, os políticos ficam passando a bola da questão da legalização uns pros outros, na ficção os artistas já resolveram que está tudo liberado. Proporcionalmente à diminuição da presença do tabaco nos filmes, séries e quadrinhos, a marijuana tem tomado a ponta das drogas mais populares, tornando-se o verdadeiro cigarrinho de artista. Fizemos esta lista baseada em filmes, séries, quadrinhos e livros, confiando em nossa memória e baseado em que nós podemos fazer quase tudo.

5) Capitão Améria e Billy The Kid, “Easy Rider” – cinema



O filme é fruto de uma viagem de Peter Fonda. E a gente pode dizer isso literalmente. O ator contou para o escritor Lee Hil no livro “Sem Destino” (Editora Rocco) que teve a ideia para o roteiro do longa em 1967, após fumar um baseado e olhar o cartaz de divulgação de “The Wild Angels” – longa sobre uma gangue de motoqueiros que ele atuou em 1966. Em Easy Rider, os personagens Capitão Améria e Billy The Kid cruzam os EUA de moto. Assim como o filme, o clima das gravações também foi totalmente hippie: o ator Jack Nicholson já revelou em entrevistas que na famosa “cena do mato” fumou cerca de cem (!!!) baseados. Easy Rider foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original em 1970. O enredo não ganhou o prêmio da Academia mas com certeza merece o título de filme mais maconheiro de todos os tempos.

4)Wood e Stock – Quadrinhos


Eles pediram carona, fumaram maconha, usaram sandálias de couro, fumaram maconha, tocaram rock ‘n’ roll, fumaram maconha e… envelheceram!(Mas continuam fumando…) Wood & Stock são uma versão nacional de Cheech & Chong, só que 30 anos mais velhos. Criados pelo quadrinista Angeli, a dupla de “eternos hippies carecas cabeludos” já queimou estoques quilométricos de “orégano” em tirinhas, álbuns de quadrinhos e no longa-metragem de animação “Wood & Stock – Sexo, óregano e rock ‘n’ roll”, que contou em sua trilha sonora com doidões da estirpe de Arnaldo Baptista, Rita Lee e Júpiter Maçã.

3) Eric, Fez, Kelso e Hyde, That’s 70 Show – Séries de TV

Como a própria Kitty, mãe da família Foreman disse: “Nosso porão parece Amsterdã”. Sim, a série retratava os anos 70, mas nunca se viu tanta gente chapada no horário nobre americano e nem por tanto tempo! Durante oito temporadas, a série retratou o dia-a-dia de um grupo de adolescentes em Wisconsin, EUA. Entre calças boca-de-sino, pôster das Panteras e uma trilha sonora cheia de rocks psicodélicos estilo The Who, Led Zeppelin e Stones, Eric Foreman e seus amigos ficaram boa parte dos oito anos da série no porão da sua casa, fumando muuuita maconha. As discussões chapadas sempre renderam cenas engraçadíssimas! Nunca teremos certeza, mas apostamos que a erva que eles fumavam na série era boa: afinal chegaram a dividir a roda com o legendário Tommy Chong, que fez participações especiais como o velho-hippie-malucao Leo.

-Personagens mais estúpidos dos desenhos animados

2) Fabulous Furry Freak Brothers – Quadrinhos

Os alucinados Freak Brothers são os Irmãos Marx da contracultura. E olha que quem soltou essa ideia foi ninguém menos que o gênio dos quadrinhos Alan Moore. Gerados no final dos anos 60, inspirados por filmes de humor preto e branco e pelo movimento hippie, os Freak Brothers foram um sucesso enfumaçado das HQs undergound americanas. Fat Freddy era o gordo laricado, Phineas uma versão freakie do Rolo de Maurício de Souza e Freewhelin ‘ Franklin o radical de esquerda que comandava o trio. A grande missão dos três era arrumar bagulho, escapar da polícia e, nas horas vagas, revolucionar o mundo.


1)Cheech & Chong – Cinema

Até o D2, mais notório maconheiro do Brasil já fez uma referencia a dupla que ficou em primeiro lugar no nosso ranking. Afinal, ele canta que “continua queimando tudo como Cheech e Chong”. Juntos, a dupla de atores Richard “Cheech” Marin e Tommy Chong fizeram dez filmes e devem ter fumado uma tonelada de maconha. Os longas viraram clássicos e os caras lançaram até dez álbuns com piadas e músicas. O primeiro dos filmes, “Queimando Tudo”, é de 1978 e foi dirigido por Lou Adler. Parte da programação da madrugada do SBT por muito tempo, mostra a dupla se conhecendo: Cheech é Pedro de Pacas um cantor latino e Chong Anthony “Man” um cara de classe média, que largou tudo pra tocar bateria. Juntos, eles curtem “ficar com olhos de chineses” fugindo da polícia num carro “embaçado”. Depois de 20 anos separados, eles lançaram em 2010 o documentário “Hey Watch This”, baseado na turnê Light Up America, show de stand up que eles estão apresentando pelos Estados Unidos. No caso de Cheech e Chong, a ficção se misturou com a vida real: os caras defendem a legalização da maconha, mas Chong deixa claro que largou a cannabis: “Fumei por 50 anos, mas parei quando fui preso [em 2003, por vender a droga pela Internet]. Na cadeia, me ofereciam maconha todos os dias, mas não fazia muito sentido desobedecer às leis atrás das grades. Virei quase um monge.” No caso de Cheech e Chong, parece que eles já queimaram tudo que tinham pra queimar.

Veja também:
-5 filmes mais violentos da história
-Mais listas legais!
-5 vilãs mais sexy do mundo 

3 quadrinhos que você tem que ler!

3 quadrinhos que eu acho que não agradam só aos fãs de quadrinhos, mas são universais.


1)Maus, Art Spielgeman:

É a única unanimidade dessa lista. Pra mim “Maus” é a melhor obra a retratar o nazismo, melhor que qualquer filme ou seriado de tv. “Maus” também é o único quadrinho que ganhou o Prêmio Pulitzer. Como diz o Gabes, fodaço!

 

Capa da HQ "Maus" de Art Spielgman

Capa da HQ “Maus” de Art Spielgman

 

2)Epilético,David B:
História autobiográfica do quadrinista francês David B., que cresceu ao lado do irmão epilético e acompanhou toda a luta da família para tentar dar ao garoto uma vida normal. Desenhos simples, mas com estilo onírico e simbólico único. Só li o volume 1 até agora e confesso que não segurei a lagriminha que insistia a cair do olho. Vale guardar o dinheiro da breja do fim de semana pra comprar esse aqui.

3)Avenida Dropsie, Will Eisner:
Pensei em finalizar com o “Minha Vida” do Crumb, mas é muito escatlógico e foge a essa categoria de “quadrinhos” universais. Se você curte Bukowski, ou contracultura, ou tem complexo de Édipo, ou gosta de acidez, fetiches e mulhers gordinhas leia o Crumb. Se você é normal leia Avenida Dropsie, porque Will Eisner é os “Bitou(Betle)” dos quadrinhos(Crumb é os Stones). A narrativa do cara é cinematográfica e suas histórias já foram adaptadas até pro teatro. Avenida Dropsie é sobre uma vizinhança, um bairro, mas não deixa de ser sobre o que as melhores histórias são feitas: seres-humanos

-Conheça a revista Chiclete com Banana do Angeli
-Quadrinhos eróticos

Quadrinhos eróticos – 20 palavras

-Galeria de Pin Ups
-Duas HQ’s eróticas que as mulheres precisam ler



Clic, Giovanna, Espinafre de Yukiko, Bórgia e a Metamorfose de Lucius

Texto: Fred Di Giacomo.
Montagem:
Marco Moreira

-Clic



Milo Manara
Ed. Conrad
Um aparelho controla a libido de Claudia, dama da alta sociedade sexualmente reprimida, e a leva a cometer loucuras sexuais.

-Giovanna

Cenas do álbum "Giovanna"


Giovanna Casotto
Ed. Conrad
Giovanna é uma desenhista italiana gostosona que usa seus auto-retratos
como inspiração para seus dez contos eróticos com fantasias femininas.

-O Espinafre de Yukiko
Frédéric Boilet
Ed. Conrad
Francês se apaixona pela japinha gata Yukiko. Ela não dá bola, mas deixa-o transformá-la em musa de seus desenhos picantes.

-Bórgia
Alejandro Jodorowsky & Milo Manara
Ed. Conrad
Uma família metida em luxúria, incesto, assassinatos e conspirações, liderada pelo corrupto papa Alexandre VI, pai da belíssima Lucrécia Bórgia.

-A Metamorfose de Lucius



Milo Manara
Ed. Pixel
Versão de Manara para a clássica história do garoto que vira asno: erotismo, belas cenas de sexo e gatas nuas.

*Matéria originalmente publicada no site da revista Mundo Estranho

Veja também:
-Chiclete com Banana: o clássico anárquico do Angeli
-Ódio:  Versão HQ do grunge
-Aline Crumb: musa com cérebro Veja também:
-Leia mais sobre quadrinho
-Mulheres que amamos

Chiclete com Banana – Angeli

Quase vinte anos depois o mundo dos quadrinhos não abortou outro feto tão engraçado.

Chiclete Com Banana N° 21 - 0001

Faltam quadrinhos nacionais nas bancas. Faltam boas revistas de humor também, se você tem mais de catorze anos e já não acha graça na MAD….Certa vez, numa palestra com o Fernado Gonzalez em Bauru, alguém propôs a ele fazer uma revista junto a outros cobras como Laerte e Angeli. Ele rodeou, rodeou, mas não conseguiu dar uma boa desculpa para não tocar o projeto. Por quê? Porque se alguma dia isso acontecesse seria um sucesso. Ou melhor, já foi.

Eram os anos oitenta e quadrinhos de massa no Brasil se restringiam a Turma da Mônica. Havia o punk, havia a “abertura política” e a cultura pop estava se espalhando pelo país. Fome e rock n’ roll. Em meio ao caos, uma trupe de novos chargistas vindos do quadrinho político (entre eles Angeli e Laerte) se depararam com a contra-cultura (pelas mãos de Glauco) e passaram a espalhar seus rabiscos pelo país. Angeli foi o primeiro a lançar-se em vôos independentes. Desenhando na Folha de S. Paulo desde os 17 anos, ele publicou livros com suas charges que foram sucesso. Foi o estalo para que seu editor, Toninho Mendes, o convidasse para um título regular nas bancas em 1985.

-Conheça “Ódio” a HQ da geração grunge
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A “Chiclete com Banana”, bimestral, foi lançada pela editora Circo e era uma pérola de sarcasmo e bom humor. Tudo que a MAD brasileira fez depois estava lá, desde as tiras de uma página nas contra-capas às piadinhas com os preços passando pela sessão de cartas bem humoradas (ilustradas por desenhos toscos dos leitores) e pelos relatórios nonsense que o Ota copiou. Isso tudo pelas mãos de mais aplicado discípulo tupiniquim de Crumb: Arnaldo Angeli Filho.

A produção da Chiclete era tosca. Nada de pagemaker ou super equipes de arte, era tudo montado pelas mãos de Angeli num esquema que lembrava os fanzines de onde o próprio Angeli havia surgido (zine O Balão). No entanto, a primeira edição esgotou sua tiragem, que dobrou na segunda e na terceira novamente. A revista, que vinha com um selo de “aprovada no código de ética” para adultos, chegou à histórica marca de 110.000 exemplares, número nunca igualado por uma HQ independente no Brasil. As histórias recheadas de sexo, palavrões, drogas e violência podem não causar tanto arrepio hoje, mas na época eram um grito de subversão numa sociedade acorrentada por vinte anos de ditadura. O estilo underground da revista quebrava o padrão de humor brasileiro que não tinha nem nas tiras de Belmonte nem na turma do Pasquim um antecessor a altura da anarquia proposta por “Angel Villa”. Com o crescimento da cria de Angeli, novos colaboradores deram as caras: Paulo Caruso, Glauco Matoso, Hubert, Glauco e Laerte. Esses dois últimos criaram com Angeli uma das mais bem sucedidas tiras do Brasil: Los Três Amigos, que estrearam em uma “edição especial em duas colores e dublada em portunhol e espanhes” na Chiclete com Banana número 20!

Los Três Amigos eram alter-egos dos autores, cada um com características de seus criadores: Angel Villa era o conquistador de araque, Glauquito o doidão e Laerton el maricon. Maricon no, transformista! Como ele mesmo dizia. Os mariachis assassinos distribuíram balas pelo México muito antes de Antonio Banderas e a “Balada do Pistoleiro”. Assassinando Miguelitos (pequenos garotos com chapelão mexicano), atacando donzelas inocentes e enrabando seus cavalos, os três espalharam terror e risadas com seu humor ácido, violento e completamente sem moral. Ganharam posteriormente as páginas do caderno Folhateen por onde reinaram anos seguidos sempre gerando polêmica. Voltando a Chiclete com Banana…

A revista publicada pela Circo trazia além de charges, matérias humorísticas, fotonovelas, anúncios feitos especialmente para o Pasquim, entre outras porra-louquices. Os personagens clássicos de Angeli estavam todos nas páginas sangrentas da Chiclete, cada um representando um tipo comum na sociedade brasileira da época : Rhalah Rikota, Rê Bordosa, Walter Ego , Meia Oito e o punk Bob Cuspe. Bob era pra ser no começo uma sátira aos punk paulistas, mas seu criador acabou se identificando tanto com o personagem e a ideologia do mivimento que logo a revista se tornou a preferida de punks e headbangers. Muito antes da “Metalhead” e “Rock Brigade”, fãs de rock mandavam cartas atrás de contato com outros fãs. Metaleiros pediam um personagem cabeludo e punks detonavam o sistema em cartas seriíssimas. Sintam o drama :

“A sua revista Chiclete é uma chance dada aos punks de todo o mundo. Agora, estes filhos da puta, metal, heavy, black, new waves, querem atrapalhar nosso espaço. Na MAD eles encontrarão um espaço, aqui não, fora, foraa, foraaa!”
Lula Borozão, Brasília, DF.

Ou

“Sou um black metal revoltado e acho pagode coisa de viado. Pau no cu dos pagodeiros”.
EFA, Embu, SP.

Sem contar cartas enviadas por punks de um kibutz em Israel ou uma sessão toda destinada a cartas detonando a MAD. Surreal? O ano era 1987 e ainda tinha uma foto de uma leitora de costas mostrando a bunda ilustrando a página. Quem tem a manha hoje em dia? Quem tem a manha de detonar o Lulu “Argh” Santos com todas as letras e colocar Freud de moicano na capa??

As 52 páginas de cuspe na cara que saíam a cada dois meses duraram até a edição 22 e deram força para o surgimento de diversas outras publicações semelhantes como a revista “Circo” e a “Geraldão” (do Glauco), todas seguiam a linha inovadora criada por Angeli em sua revista. Ele mesmo admite que o seu caráter centralizador de querer fazer tudo sozinho acabou dificultando a produção regular do título; e também logo vieram as crises que abalaram a economia no final dos anos 80, diminuindo o poder de compra dos leitores ávidos por quadrinhos.

Plano Collor, sertanejo nas rádios, democracia. O cenário era diferente nos anos 90 para quem havia surgido na década passada. Não que os quadrinhos de Angeli não se atualizassem, mas o formato de revista regular se tornou inviável. Uma nova década viria junto com quadrinhos online e editoras especializadas em lançar álbuns de quadrinistas como Lourenço Mutareli, mas a Chiclete com Banana ficou na memória daqueles que puderam sentir o cheiro junkie do papel “pulp fiction” de suas páginas.

Veja também:
-Te gustas el punk rock?
-Homenagem ao cartunista Glauco

Frederico Di Giacomo Rocha
08 de Maio de 2004
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