3 filmes que me fizeram chorar e um que derrubou meu próprio pai

Macho que é macho não chora vendo filme? Talvez não vendo “Free Willy”(o amigo Gabriel Gianordoli jura que conhece alguém que já se comeveu com a história de amizade entre um guri e uma baleia)ou alguma comédia romântica. Nem algum dramalhão feito pra te afogar em pranto como “O óleo de Lorenzo”, mas sempre tem um filminho que te cutuca a ferida e se não te faz cair no choro, pelo menos te deixa com aquele nozinho preso na garganta. Na faculdade, eu decidi não segurar mais o choro e soltar as lágrimas. Ai vão três filmes que me derrubaram:

Adeus, Lênin – Fim da utopia socialista e uma mãe em estado terminal
good-bye-lenin

Invasões Bárbaras – Pai e filho passando a relação a limpo antes que o pai morra

Peixe Grande Definitivamente, tenho que falar mais sobre meus pais na terapia, he, he, he 😛

E pra provar que macho chora mesmo, até meu pai que é todo durão, ficou que nem criança desmamada quando reviu:

“A felicidade não se compra”

E você? Que filme te fez chorar?

“O Gabinete do Dr. Caligari”: Uma metáfora do totalitarismo (Assista o filme completo)

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A mente de um louco nas telas de cinema, a consciência sombria traduzida em imagens góticas que tanto simbolizam uma história de terror quanto representam uma crítica ao totalitarismo. “O Gabinete do Dr. Caligari” é um marco do cinema mundial infinitamente resenhado e comentado. Sua importância é indiscutível, foi o primeiro e mais importante filme do chamado expressionismo alemão que reinou entre 1918 e 1928. Antecedeu os clássicos “Nosferatu” de Murnau e “Metrópolis” de Fritz Lang, tornando-se o primeiro sucesso do cinema de horror. Segundo Fritz Lang, no livro “O Século do Cinema” de Glauber Rocha, não existia um movimento expressionista organizado no cinema austríaco/alemão, esse foi apenas um rótulo achado pela imprensa para catalogar aquele cinema primitivo de começo de século. Polêmicas a parte, não se pode negar as semelhanças estéticas entre as obras desses autores e a influência dessa escola de arte no filme de Wiene.

O roteiro é aparentemente simples: Francis, um homem internado em um hospício, fala a um outro, em flashback, de uma série de assassinatos cometidos em uma cidade do interior alemão (Holstewall) a partir da chegada de uma feira itinerante na qual se destaca o Dr. Caligari (Werner Kraus), uma espécie de pai do Zé do Caixão* com sua cartola e sobretudo negros, que controla Cesare, um sonâmbulo (Conrad Veidt) que dorme em um caixão e aparentemente prediz o futuro. Francis havia ido à feira com seu amigo Alan (Hans Heinrich), que tem sua morte prevista por Cesare ao visitar a “cabine” do velho doutor (daí a origem do nome do filme). Após o assassinato de Alan as suspeitas recaem sobre o Dr. Caligari e inicia-se uma luta contra o tempo para impedir novos assassinatos e provar a culpa do doutor, que revela-se alter-ego do chefe do hospício da cidade.

A astúcia do roteiro está no final, que muitos dizem ter sido criado sobre pressão dos produtores.(Se você ainda não viu o filme e não que saber o final, pule essa parte) Antes mesmo de obras como “Sexto Sentido” ou “Os Outros”, nas quais o fim muda completamente o sentido da história, Wiene transporta o narrador para o hospício, como um louco, sendo a primeira história um delírio e o Dr. Calegari, na verdade, um bondoso médico.

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Uma das marcas que garantiram imortalidade à película de Wiene é o retrato surrealista do universo narrado por Francis, representando os delírios de um doente mental. Os cenários, criados em pedaços de madeira e pano pelos pintores expressionistas Walter Reimann e Walter Rohrig e pelo cenógrafo Hermann Warm (que hoje fazem parte do acervo do Museu do Cinema Henri Langlois, em Paris) são contorcidos, escuros e criam um ambiente de opressão, tal qual as catedrais barrocas. O tempo é desterritorializado, não há menções à época em que se passa o filme, assim como ocorre na maioria das obras expressionistas. A maquiagem é pesada e tudo remete a um mundo confuso, assim como era a Alemanha da pós-guerra, marcada pelos traumas impostos pela derrota na Primeira Grande Guerra, as crises econômicas e a ascendência do nazismo ao poder. O nazismo, inclusive, selou o destino dos dois atores principais: Conrad Veidt fugiu da Alemanha para se tornar um astro nos Estados Unidos (interpretando o nazista em “Casablanca”) e Werner Krauss permaneceu na Alemanha para se tornar então o ator principal do filme de propaganda anti-semita “Jud Suss”.

O “Gabinete do Dr. Calegari” é um aviso, uma premonição do mal que viria varrer a Europa nas décadas de 30 e 40. Assim como “O Vampiro de Dusseldorf” de Lang, o filme de Wiene expõe os efeitos do autoritarismo, totalitarismo e da forma de influenciar as massas através do hipnotismo. É uma obra crua, de um tempo em que o cinema era mudo, preto e branco e começava a buscar sua linguagem própria. Uma vitória para o diretor que conseguiu transmitir com imagens fortes toda a angústia, medo e opressão vividos na entreguerras. Mal sabia Wiene que diante do horror de Hitler, seu Dr. Calegari poderia estar ao lado de Rapunzel nas histórias de carochinha.

Frederico Di Giacomo Rocha, com a alma em preto e branco
08 de Maio de 2004

Assista o filme completo aqui:

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-Documentário AfroPunk retrata participação dos negros no movimento punk

5 filmes que todo mundo viu menos eu (E eu ainda quero assistir…)

1. Eduakators
2.Cidade dos Sonhos
3.Noivo Neurótico, Noiva Nervosa(Annie Hall, que acho que vou ver hoje)
4.Beleza Americana
5. Sem Destino

Sim podem atirar as pedras. Mas vocês também não tem uma listinha dessas?

Cena do filme "Beleza Americana", que eu continuo sem assistir

Cena do filme “Beleza Americana”, que eu continuo sem assistir

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