O campo e as matas do Brasil estão pegando fogo e o sangue não vai apagar as chamas

por Fred Di Giacomo

Sabe quando você está lendo um livro de história, vendo um filme baseado em fatos reais ou ouvindo um velhinho contar histórias de momentos tristes da humanidade — como o holocausto, o extermínio de índios ou a inquisição? Sabe quando você pensa “Como as pessoas daquela época não fizeram nada?”. Geralmente eu, em seguida, emendo um pensamento otimista do tipo “mas hoje em dia é diferente, temos internet, celulares, jornais democracia: o mundo melhorou”.

Aí, explode essa notícia de que garimpeiros brasileiros massacraram 20 índios de uma tribo que era mantida isolada na Amazônia. Índios que não tinham nenhum contato oficial com brancos e cujo primeiro contato foi o mesmo que vem sendo repetido a há 500 anos: o extermínio, a matança.
E, aí, revela-se que outra tribo isolada também passou por um massacre que levou 20 índios chacinados no ano passado.
E que o governo Temer cortou verba da Funai; além de ter piorado a já ruim relação com indígenas, ambientalistas e pequenos agricultores.
E que somos uma sociedade que não consegue nem garantir que os índios não sejam… MASSACRADOS.

O campo e as matas do Brasil estão pegando fogo e o sangue não vai apagar as chamas. Será que nossos filhos e netos um dia vão pensar: “Como as pessoas daquela época não fizeram nada?”

 

Meu canto

Escrevi essa música num final de semana antes de mudar pra São Paulo rumo ao meu primeiro emprego. Que bom que desde então a vida tem sido boa comigo. Ainda canto ela mentalmente sempre que pego um avião. É minha pequena oração pessoal, um mantra que me conecta com as coisa boas e simples da vida.

2001-praga-mae

Hoje não tem choro de criança
Nasceu um raio de esperança
Hoje não vai ter futebol

Dei oi pro vizinho e abri um vinho
Não me sinto mais um estranho no ninho
Quando saio na rua não estou mais sozinho

Hoje é dia de ver o menino nascer
É dia de ver o menino nascer
É dia de ver o menino.

Moleques pediram manga no meu quintal
Calor de rachar mas isso é normal
Hoje não tem batida policial

Hoje não tem pais brigando
Não tem crianças chorando
Não há dor em nenhum canto

Hoje é dia de ver o menino nascer
É dia de ver o menino nascer
É dia de ver o menino

Hoje não tem batucada, não vai chover
Velhos decidiram não vão morrer
Hoje é dia do santo descer

Charles saiu da cadeia
As crianças vão dormir de barriga cheia
As pessoas pararam pra ver a lua cheia

Hoje é dia de ver o menino nascer
É dia de ver o menino nascer
É dia de ver o menino

Eu canto minha casa,
meu canto
Meu bairro,
meu santo
Eu canto
pra você viver.
(Pra você viver!)

Eu canto minha casa,
meu canto
Meu bairro,
meu santo
Eu canto
pra você viver.
(Pra você viver!)

Hoje é dia de ver
Hoje é dia D
Hoje é dia de ver o menino nascer

Como a desigualdade social aumenta a violência e separa o país

Ilustração da Cecilia Silveira para o blog Think Olga

Ilustração da Cecilia Silveira para o blog Think Olga

1) Os 85 mais ricos do mundo possuem a mesma riqueza que 50% da população mundial.
2) Sociedades mais desiguais tendem a ser mais violentas.
3) A mãe de família e trabalhadora Cláudia Silva Ferreira foi assassinada em um tiroteio em uma favela e teve seu corpo arrastado no asfalto por uma viatura policial. Muita gente achou aquela cena normal.

Pensando na dificuldade que temos de enxergar pobres e ricos como cidadãos de um mesmo país, como iguais, escrevi um artigo pro Glück cheio de recordações pessoais chamado “Ensaio sobre a cegueira social“. Espero que vocês gostem 🙂

Um trechinho:

Quando eu estava no ensino médio, minha escola organizou uma pequena excursão para “conhecer a realidade e pobreza do Brasil”. Iríamos sair na última aula para visitar uma família carente cuja mãe sozinha criava uma filha que tinha contraído HIV e um filho que agora estava preso. Iríamos entregar uma cesta básica para eles e conversar sobre a vida dura que levavam. A intenção das freiras que dirigiam nossa escola de classe média no interior do noroeste paulista era boa. Elas achavam que os meninos da elite penapolense precisavam valorizar suas vidas tranquilas e solidarizar-se com os que tinham nascido sem condições. Talvez a ideia fosse estreitar as pontes entre quem só convivia com pobres e negros quando estava com suas empregadas ou babás. Eu me sentia incomodado com a situação; apesar de entender a intenção didática da escola, aquilo também lembrava um passeio por algum tipo de zoológico humano. Algum tipo de espetáculo para se “assistir”, sem realmente enxergar as pessoas que estavam ali.

Deu o sinal da última aula e fomos todos com nossos uniformes vermelhos para uma Kombi lotada de boas intenções fundidas ao clima de uma alegre excursão para Porto Seguro. Rapidamente percebi que aquele caminho que a Kombi fazia não me era estranho. “Opa, pra onde estamos indo? Eu conheço esses vira-latas, essas casas de muro baixo, essas ruas esburacadas. Conheço essas tiazinhas sentadas na calçada, os pés calçando havaianas pedalando de volta pra casa, os moleques empinando pipa com cerol no bairro”.

Meu bairro.

Naquela hora percebi que a casa dos “pobres” era a casa dos meus vizinhos. Literalmente. Ficava a meio quarteirão de casa, na Vila São João. O cara que estava preso era amigo de um colega. Quando chegamos na pequena e humilde casa de muro de madeira, eu pulei da Kombi correndo, caminhei vinte passos e entrei em casa. Sentia um misto de vergonha, raiva e humilhação. Tinha vergonha tanto dos meus vizinhos acharem que eu era um playboy, quanto dos meus colegas de classe me verem como mais um “pobre” do bairro. Alguém pra ter pena ou fazer caridade. Eu não queria que as pessoas tivessem pena de mim. Queria ser olhado de igual pra igual, olho no olho.”

O texto completo você lê aqui:  http://www.gluckproject.com.br/ensaio-sobre-a-cegueira-social/

A ilustraçnao acima foi feita pela Cecilia Silveira para o blog Think Olga, em homenagem à Claudia Ferreira

 

Uma breve história do ódio (e da violência) no Brasil

Achamos que somos um bando de gente pacífica cercados por pessoas violentas”. A frase que bem define o brasileiro e o ódio no qual estamos imersos é do historiador Leandro Karnal. A ideia de que nós, nossas famílias ou nossa cidade são um poço de civilidade em meio a um país bárbaro é comum no Brasil. O “mito do homem cordial”, costumeiramente mal interpretado, acabou virando o mito do “cidadão de bem amável e simpático”. Pena que isso seja uma mentira. “O homem cordial não pressupõe bondade, mas somente o predomínio dos comportamentos de aparência afetiva”, explica o sociólogo Antônio Cândido. O brasileiro se obriga a ser simpático com os colegas de trabalho, a receber bem a visita indesejada e a oferecer o pedaço do chocolate para o estranho no ônibus. Depois fala mal de todos pelas costas, muito educadamente.”

Trabalhadores tomam geral em foto "Todos Negros" de Luiz Morier

Trabalhadores tomam geral em foto “Todos Negros” de Luiz Morier

Quando comecei a tocar o projeto Glück com a Karin Hueck, minha ideia era investigar a felicidade, esse conceito que só é levado a sério no Brasil pelos publicitários. A maior parte dos nossos textos trata sobre autoconhecimento, saúde e relações pessoais, mas é impossível ignorar o ódio, quando se fala de felicidade no Brasil. Em meio a morte de cinegrafista nas manifestações, justiceiros no Rio de Janeiro, e comentários agressivos em todos os portais de notícias, fica difícil só falar de felicidade. Por isso fiz essa breve “História do ódio no Brasil”. Acho pertinente divulgá-la aqui no Punk Brega também. Espero que vocês curtam:
http://www.gluckproject.com.br/a-historia-do-odio-no-brasil/

São Paulo foi feita para os carros (ou “o Escândalo do metrô só vai aparecer quando alguém morrer?”)

O amigo e designer Gabriel Gianordoli já está se tornando editor involuntário desse blog, tamanha é a quantidade de bons links que ele posta no Facebook. Compartilho com vocês e recomendo muito a leitura do excelente texto do site “Cidades para que(m)?” que discute o péssimo transporte público de São Paulo, a pequena extensão de sua malha de metrô e a decisão consciente dos governos do estado e município de investirem sempre nos carros (privilegiando os ricos e aumentando os engarrafamentos). Enquanto nas melhores cidades do mundo, todo mundo anda de transporte público ou bicicleta, em São Paulo (e no Brasil em geral) continua sendo cool ficar preso no engarrafamento com seu carrão novo. E ninguém fala nada sobre a corrupção na licitação do metrô no governo do PSDB.

Tristeza não tem fim.

– Leia aqui o ótimo texto

Como ficam a mídia e os jornalistas diante dos protestos no Brasil?

Dizia uma velha propaganda eleitoral: “eu tenho medo”. Eu também tenho medo: medo de perder o emprego. Isso mesmo, devo confessar minha covardia; toda vez que vejo explodirem protestos contra injustiças eu penso duas vezes para fazer comentários que possam comprometer meu emprego. Toda vez que a maior revista do Brasil escreve uma matéria distorcendo fatos, trocando notícias por opiniões e carregando em adjetivos preconceituosos eu me sinto amordaçado e não comento nada. Justo eu que sempre inventei fanzines, jornaizinhos e programas de rádio para dizer o que penso livremente. Mas, e agora, se eu falar o que penso poderei ser demitido?

Bom, nós temos “cumprido nosso dever” como jornalistas. Nossos chefes mandaram repórteres e fotógrafos para cobrir os protestos contra o aumento da passagem de ônibus. As notícias que me chegam são que um fotógrafo ficou cego e uma jornalista foi gravemente ferida pela truculência da Policia Militar (acostumada a espancar, matar e torturar rotineiramente nas periferias do estado). Um fotógrafo e uma jornalista que estavam TRABALHANDO. Cumprindo as ordens dos seus chefes. E o que nós recebemos em troca pelo sacrifício? Editoriais, colunas e blogs elogiando a violência sem sentido da PM que cega. E não podemos nem comentar em nossos Facebooks e Twitters pessoais por que temos medo de perder o emprego?

É engraçado porque, na faculdade, muitos dos meus colegas – de esquerda e de direita – escolheram a profissão porque achavam que podiam ajudar a mudar o Brasil. Podiam denunciar a corrupção, a violência e dar voz às grandes histórias que mereciam ser contadas. E a gente acusava os estudantes de engenharia de serem alienados. Mas agora os engenheiros constroem pontes e nós construímos o quê?

Então, no final, nós jornalistas somos como a PM? Cumprimos as ordens que servem para manter a ordem e voltamos para casa felizes por receber os nossos salários que nos permitem tomar uma cerveja importada, uma viagem pro exterior ou um iPhone novo? Somos a polícia militar do pensamento contando as mesmas histórias sempre sobre vândalos e bárbaros que querem destruir a ordem e o progresso? Bem, nós não concordamos com as próprias notícias que publicamos, claro, mas não temos direito de escrever as verdades que apuramos. Escrevemos o que nos pagam pra escrever? Afinal, temos que manter nossos empregos… No entanto, por mais dóceis que tenhamos sido (mais ponderados e obedientes ), nós estamos perdendo os empregos aos montes. Na Folha, no Estado, no Valor Econômico, na Abril, na Caros Amigos, na Trip… Quando a situação aperta jornalistas se tornam descartáveis. Um ponto a mais nas folhas de gastos como papel, luz ou aluguel. Agora não temos emprego nem dignidade dos tempos de faculdade.

E do outro lado?

Eles têm balas de borracha que nos cegam, gás de pimenta que nos sufocam, os maiores jornais e revistas do Brasil, todos reportando um só lado da história. Eu tenho essas simples e sinceras palavras. A dignidade que me resta me impede de continuar escondendo-as na garganta.

E você?

Não existe solução fácil: assista ao documentário “Notícias de uma guerra particular” e tente achar uma jeito simples de acabar com a violência.

Infelizmente, resolver o problema da violência não é tão simples como a gente gostaria.

Duvidam?

Cena do documentário "Notícias de uma guerra particular"

Assistam a esse documentário já meio velho (“Notícias de uma guerra particular”, da Kátia Lund e do João Moreira Salles ) e tentem achar uma solução fácil pra todos os problemas apresentados:

Assistiram? Estão com preguiça? Bom, algumas coisas que eu achei bem foda e bem esclarecedoras:

1) A parte em que o escritor Paulo Lins (autor do best-seller “Cidade de Deus”) fala que a violência e as mortes nos morros sempre existiram, mas a classe média só começou a se preocupar com ela quando o tráfico cresceu e a violência espirrou no assalto.

2) A parte quando o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Hélio Luz, admite que a polícia é corrupta e é corrupta porque a gente quer. Ele questiona coisas como: “Você aceitaria uma polícia que não aceita um cafezinho?” “Que multa quando tem que multar?” “Que não deixa segurança de supermercado dar porrada em menor de idade?” “Que prende filho de rico quando atropela?” “Que prende o usuário de drogas no Posto 9?” É interessante que ele define a função da polícia brasileira como “garantir a segurança da elite”

3) Quando um menor infrator preso diz que seu primeiro trabalho aos 11 anos foi QUEIMAR um X-9 (gíria pra dedo duro). Queimar… Caramba, qual o futuro pra um moleque cuja “missão” aos 11 anos era botar fogo numa pessoa viva? E é interessante observar que a prática de “queimar vivo” rolava no morro vinte anos atrás (todo mundo viu isso no “Tropa de Elite”) e chegou ao asfalto agora com os tristes casos de dentistas incendiados vivos. 🙁

4)Quando um casal de moradores da favela diz que a polícia invade a casa dos moradores e, se encontrar televisão ou DVD caros, “toma pra ela” porque acha que coisa cara na favela é coisa roubada. Mesmo com nota fiscal – salienta a esposa. E o marido acrescenta que a “polícia quando invade o morro bate em velho, aleijado e criança”. Lembra bastante o que os bandidos têm feito hoje em dia torturando e roubando famílias em assaltos violentos, né?

5) O momento em que o capitão Pimentel do Bope (que inspirou o personagem do Capitão Nascimento) diz que a guerra nunca vai acabar porque a única presença do Estado na favela é a policial e só a polícia não resolve. Repito, o “Capitão Nascimento” disse que só polícia não é a solução pro problema do tráfico e da violência.

Mortes de policiais são uma dura realidade da guerra do tráfico

Tudo isso não quer dizer que polícia é má, que o ladrão é bom ou coisa que o valha. Isso seria tão simplista quanto achar que a violência é a solução de tudo. Tudo isso mostra que uma questão muito complexa (que envolve distribuição de renda, educação, melhores salários pra polícia e inclusão dos moradores de favela na nossa sociedade) está sendo reduzida a uma solução simples (cadeia e bala) e o resultado disso vai ser mais gente revoltada, órfã, viúva.

Gente mais violenta

Um bebê não deve ser torturado – uma homenagem a Carlos Alexandre

Carlos Alexandre com os pais

Um bebê – uma criancinha de menos de dois anos – ser torturado (com choques elétricos e tapas) não é certo. Nem aqui, nem em Cuba, nem nos Estados Unidos, nem na Coréia do Norte. Em qualquer lugar onde um governo torturar um bebê, o governo será um governo falido

***
Repetindo, um bebê de um ano e oito meses ser torturado não é certo, não importa se você é comunista, capitalista, anarquista, democrata. Uma criança não deve ser torturada. Qualquer ideologia que defende a tortura de um bebê é uma ideologia que defende o abandono da esperança na humanidade

***

Um bebê ser torturado não é certo, você concorda comigo? Não importa se ele é filho de Hitler, do Mussolini, ou do Stálin. Não importa se seus pais são católicos, comunistas, nazistas ou apenas sonhadores… Com menos de dois anos uma criança não teve tempo de cometer crime algum.***Se você concorda comigo, obrigado.

Se você é um dos aleijados emocionais que encheram essa matéria da ISTOÉ  sobre Carlos Alexandre (o bebê torturado pela ditadura militar brasileira que, agora adulto, acabou de se suicidar)  de comentários machistas, preconceituosos e principalmente cheios de ódio, por favor me risque da sua lista de amigos do Facebook e passe a me ignorar quando a gente se encontrar na rua. Gente que justifica a tortura de um bebê não pode se dizer católica, mulçumana, protestante, democrata, liberal, socialista.

Gente que justifica a tortura de um bebê não pode se dizer gente.

Um banho de enxurrada no dia em que terminei meu segundo romance.

A chuva não mais caia, mas cheguei molhado em casa.

Eu caminhava empolgado, pelas ruas da zona Sula, porque terminara de escrever, finalmente, meu segundo romance – “Dândis”.

Hum... Refrescante, né?

(Não que o primeiro  – “Memórias de um perdedor” – tenha sido publicado. Ele é sincero demais, seco demais, autobiográfico… Deixo-o envelhecer na gaveta para ver se, como um vinho, ele melhora com o tempo. )

O “Dândis” não é autobiográfico, mas é autocrítico. Tem o pior de mim e da minha geração de um jeito bem-humorado. Cheio de humor negro, ele sacaneia nossos moderninhos e descolados loucos para fazerem um mochilão pela Europa ou pra criar um app de iPhone sustentável.

Bom, revisei o romance e fui levar pra imprimir. Duas cópias dele ficaram os olhos da cara, mas tudo bem, ainda não inventaram uma lei de incentivo à cultura que banque o xerox de originais. Depois de uma lenta hora de impressão, eu estava pronto para voltar pra casa, mas uma chuva torrencial despencava em São Paulo. Uns 15 minutos de espera e me mandei.

Atentem: a chuva parou, mas cheguei molhado em casa.

Sim, molhado, um carro em alta velocidade passou do lado da calçada, atravessando a grande poça d´água, e ensopou o pedestre otário aqui.  Por sorte os originais do livro estavam escondidos embaixo da minha camiseta e sobreviveram 😛

Estou morando no Brooklin agora. Como você deve saber, os bairros classe média (e classe média pra cima) da Zona Sul de São Paulo não tem um bom sistema público de transporte. Mas tem muitas avenidas grandes onde os carros andam rápido (quando não estão engarrafadas). O paulistano classe média gosta de carro. Significa que ele ganhou na vida e pertence a uma casta superior àqueles que se apertam no ônibus lotado ou tomam banho de enxurrada na calçada. O motorista não se identifica com o pedestre que tomou banho de enxurrada, afinal ele não anda à pé. Lugar de pedestre não é na rua, oras. Ele no máximo concorda ser ruim que os bueiros entupidos resultem em poças d´água.

Não que isso o impeça de continuar jogando lixo pra fora da janela, né?

 

 

Não existe solidariedade em SP?

Hoje, chuva de granizo pipocando no parabrisas e refletida no retrovisor dos carros, presenciei uma dessas cenas erradas que rendem má fama ao paulistano médio.

A visibilidade era pouca, a chuva apertada e 4 motoristas resolveram parar todo o trânsito depois da ponte Eusébio Matoso para proteger seus valiosos carros do granizo que ameaçava riscar a lataria. Estancaram embaixo do pontilhão e lá ficaram segurando o trânsito até a tempestade afrouxar.

Quem se importa com todos ônibus, motos e carros se aglomerando atrás sob às pedras de gelo e parando a ponte e, quem sabe, o túnel da Rebouças? E se tiver alguma grávida, um doente ou um apaixonado louco pra reencontrar a mulher nos automóveis de trás?

“Foda-se”, comemoravam eles, “pago meus impostos, comungo, dou like pra salvar os índios Kaiowas. Se eu não cuidar do meu, quem vai?”

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