5 melhores músicas de (dor de) corno

Com a licença do mestre @xicosa, Punk Brega elege as 5 melhores músicas da corneira nacional.

5)”A Maçã” – Raul Seixas
O genial Raulzito é autor dessa “melô do corno manso”, em que – ao contrário do Rei Roberto e de Roger do Ultraje – ele condena o ciúme e diz “Sofro, mas eu vou te libertar”.

4)”Me dê motivos” – Tim Maia
A música não foi composta pelo Tim Maia, mas o monólogo cravado por ele na introdução já vale o lugar nessa lista:
“É engraçado, ás vezes a gente sente fica pensando
Que está sendo amado, que está amando e que
Encontrou tudo o que a vida poderia oferecer
E em cima disso a gente constrói os nossos sonhos
Os nossos castelos e cria um mundo de encanto, onde tudo é belo
Até que a mulher que a gente ama, vacila e põe tudo a perder
E põe tudo a perder…”

3)Ronda – Paulo Vanzolini
Vanzolini, um dos maiores compositores de sambas paulistas, ficou famoso por essa dor de corno “com alma feminina” gravada, entre outras, por Maria Bethânia. Dor de corno com sangue no final.

2)”Nervos de Aço” – Lupicínio Rodrigues
Lupicínio Rodrigues é o rei das canções de “dor de cotovelo”. Nervos de Aço é  mais clássica delas. Avó de “Garçom” do Reginaldo Rossi, mas muito mais classuda, foi também gravada por Paulinho da Viola. Supostamente, é baseada em fatos reais.

1)”Garçom” – Reginaldo Rossi
Clássico dos clássicos, grande hino brega, relata a história do cara cujo grande amor vai se casar e mandou uma carta pra lhe avisar. Abaixo a história “apócrifa” da música.

Bônus Track: “Balada do Corno” – Milhouse
Essa música foi originalmente composta por Wando Ramone e Waldick Cavalera da banda de punk brega Cuecas Rosas. É pouco conhecida, mas serve como um hino da auto-ajuda corna com seu terapêutico “Atire a primeira pedra quem nunca sofreu/quem nunca foi corno assim como eu/nunca foi traído”.

Videoteca do Brega – “Garçom” (Reginaldo Rossi): a melhor letra de dor de corno do mundo

– Acompanhe aqui grande clássicos da música cafona na “Videoteca do Brega“.

“Garçom” ao vivo

Quando fui universitário em Bauru, eu tocava baixo numa banda chamada “Cuecas Rosas“. A ideia era fazer versões punk e rock n’ roll de clássicos da música brega brasileira. Nos shows, a gente chamava Wando e Reginaldo Rossi de maiores compositores da música brasileira. Maiores que Chico Buarque. Era provocação, mas no caso de “Garçom” de Reginaldo Rossi a coisa não era só escracho. Acho esse letra o melhor que já escreveram sobre dor de corno… NO MUNDO É realista, bem-humorada e conta uma história como poucos. A frase “eu sei que estou enchendo o saco, mas todo bebum fica chato” é antológica. Rossi (nascido em Recife, em 1944) é aclamado como Rei do Brega, mas acho pouco. Ele está longe de ser só um “Falcão”, uma piada, ou apenas um ex-imitador de Roberto Carlos. Suas letras (como “Raposa e as uvas”) deviam ser levadas mais a sério, seu carisma no palco é inegável e os shows no norte e nordeste continuam lotados. Os “mangueboys” de Recife gravaram um bom tributo ao Rossi, que você pode ouvir aqui.Tem Mundo Livre, Lenine, Otto, Zé Ramalho, Devotos… Uma pequena homenagem pra uma grande obra.

Assista também:
-Lindomar Castilho canta “Eu vou rifar meu coração”
-Relembre “Uma vida só” de Odair José
-Fernando Mendez ficou famoso por cantar uma menina na cadeira de rodas

“Garçom” versão original

Letra de “Garçom”
Garçom! Aqui!
Nessa mesa de bar
Você já cansou de escutar
Centenas de casos de amor…

Garçom!
No bar todo mundo é igual
Meu caso é mais um, é banal
Mas preste atenção por favor…

Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
Mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços meu coração…

E pra matar a tristeza
Só mesa de bar
Quero tomar todas
Vou me embriagar
Se eu pegar no sono
Me deite no chão!…

Garçom! Eu sei!
Eu estou enchendo o saco
Mas todo bebum fica chato
Valente, e tem toda a razão…

Garçom! Mas eu!
Eu só quero chorar
Eu vou minha conta pagar
Por isso eu lhe peço atenção…
Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
Mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços meu coração…

E prá matar a tristeza
Só mesa de bar
Quero tomar todas
Vou me embriagar
Se eu pegar no sono
Me deite no chão!…

Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
Mandou uma carta prá me avisar
Deixou em pedaços meu coração…

E pra matar a tristeza
Só mesa de bar
Quero tomar todas
Vou me embriagar
Se eu pegar no sono
Me deite no chão!

Reginaldo-Rossi-Cheio-De-Amor

Videoteca do Brega: “Esse meu coração sem juízo”, Nelson Ned e Moacyr Franco

Para tudo! Olhem o style do Nelson Ned e o blazer do Moacyr Franco:

Só esse visual já justificava o post de “Esse meu coração sem juízo” na nossa videoteca do brega. Mas não é só por isso que este é o post da “Videoteca” desta semana. Queria deixar registrado, também, uma performance ao vivo do Nelson Ned que, apesar de ter um baita vozeirão e ser admirado por gente como o ganhador do Nobel de Literatura Gabriel Garcia Marquez, ficou na história mais pelas piadas com seu tamanho do que pelas canções que gravou. Antes de se converter e virar cantor gospel, Ned era um dos maiores (sem piadinhas) cantores de música romântica/brega/cafona do Brasil.


O clássico mais conhecido do cara é “Tudo passará”. O difícil é encontrar uma versão ao vivo de Ned cantando, que não seja da carreira gospel. No Youtube você acha vídeos de todas bandas lado z do rock nacional dos anos 80 em programas de auditório, mas quase nenhum crássico brega. Triste.

Assista também:
-Lindomar Castilho canta “Eu vou rifar meu coração”
-Relembre “Uma vida só” de Odair José
-Fernando Mendez ficou famoso por cantar uma menina na cadeira de rodas

Videoteca do Brega: “Eu vou Rifar meu coração”, Lindomar Castilho

A história de Lindomar Castilho é mais trágica que seus boleros e sambas-canções emotivos. Famoso por “Você é doida demais” (abertura de “Os Normais”),”Chamarada” e “Eu vou rifar meu coração”, o cantor foi condenado, em 1981, por matar a ex-mulher que cantava em cima do palco. O artista foi condenado e na prisão gravou o disco “Muralhas da Solidão”. Hoje é muito difícil encontrar vídeos antigos da sua fase áurea, mas uma parte de sua história é contada no livro (já antes recomendado) “Eu não sou cachorro não”.

Veja também:
-Ouça “Cadeira de Rodas”, de Fernando Mendes
-Ouça “Uma vida só”, de Odair José

Videoteca do Brega: “Cadeira de Rodas”, Fernando Mendes

Seguindo com nossa seleção de músicas crássicas do cancioneiro brega, hoje pincei para vocês “Cadeira de Rodas” do Fernando Mendes. É uma ideia  de som bem legal que o cantor teve depois de ver uma fã cadeirante no seu show. Coloca a portadora de necessidades especiais como musa, mostrando como a música brega popular pode ser moderna em suas temáticas. E isso bem antes de Roberto Carlos achar que estava agrando as minorias fazendo música pra míope, baixinha e gordinha. 🙂

Sucesso nos anos 1970, Paulo Mendes foi redescoberto quando Caetano Veloso gravou a sua “Você Não Me Ensinou a Te Esquecer”, para a trilha sonora do filme “Lisbela e o Prisioneiro”.

Cadeira de Rodas – Letra:

Sentada na porta,
Em sua cadeira-de-rodas ficava.
Seus olhos tão lindos,
Sem ter alegria,
Tão triste chorava.

Mas quando eu passava
A sua tristeza chegava ao fim.
Sua boca pequena,
No mesmo instante,
Sorria pra mim.

Aquela menina era a felicidade
Que eu tanto esperei,
Mas não tive coragem e não lhe falei
Do meu grande amor e agora,
Por onde ela anda, eu não sei.

Hoje eu vivo sofrendo e sem alegria.
Não tive coragem bastante pra me decidir.
Aquela menina em sua cadeira-de-rodas
Tudo eu daria pra ver novamente sorrir.

Caetano cantando Paulinho

Veja também:
-Wander Wildner e minhas bandas gaúchas preferidas
-Rock indie brega de primeira qualidade
-Punk Brega Nerd

Videoteca do Brega: “Uma vida só”, Odair José

Nas próximas sexta-feiras, esse blog vai deixar sua pose punk de lado e reunir alguns clássicos do brega pros seus jovens internautas.

Depois de lançar seu primeiro sucesso “Eu vou tirar você desse lugar”, Odair José (1948) foi censurado pela explícita canção da pílula e chegou a ser excomungado pela Igreja Católica. Decidido a fazer uma ópera-rock-brega Odair lançou fracasso comercial “O filho de José e Maria” (1977) que trazia flertes com rock progressivo e de garagem.

Odair foi redescoberto nos anos 90, depois do lançamento do clássico livro “Eu não sou cachorro não”, de Paulo César Araújo, e da coletânea “Vou tirar você desse lugar” que reunia Mombojó, Paulo Miklos, mundo livre s/a e outros artistas regravando o mestre. Até o Los Hermanos registrou a clássica música de amor a uma prostituta., dando à Odair José um improvável rótulo de artista CULT.

Veja também:
O indie brega de Felipe Cordeiro
-Conheça o rock brega gaúcho do Graforréia Xilarmônica 

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