“Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas – Uma Investigação sobre valores”, Robert M Pirsig


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por Fred Di Giacomo
Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas” não é só mais um romance hippie/beatinick que fez a cabeça de uma geração nos anos 70. Sim, ele tem motocicletas como o clássico filme “Easy Rider/Sem Destino”, ele trata de uma viagem como o livro “On The Road” e flerta com orientalismo como a contracultura o fez na música dos Beatles ou na adoção de Yoga, Meditação Transcendental e Vegetarianismo para seus princípios básicos. Mas “Zen” é muito mais um livro de filosofia do que um romance doidão. Ok, filosofia pop, mas filosofia. Enquanto cruza os EUA em sua motocicleta, o autor precisa explicar o pensamento de Kant ou dos filósofos gregos como Aristóteles e Sócrates para esclarecer sua própria teoria, a “Metafísica da Qualidade”, lembrando a didática de “O Mundo de Sofia”, passo inicial para muita gente no universo do pensamento.

Antes de virar um best-seller e vender 4 milhões de cópias, “Zen” entrou para o Guinness como o sucesso de vendas mais rejeitado da história. Simplesmente 121 editoras se negaram a publicá-lo. Seu autor, o escritor e filósofo Robert M. Pirsig, nasceu na cidade americana de Minneapolis, Minnesota, em 1928. Pirsig era uma criança superdotada, com um QI de 170. Ele estudou Bioquimíca e jornalismo e se formou em filosofia, mas sempre questionou o método científico e de ensino. Entre 1961-1963 sofreu um colapso mental e passou anos em hospitais psiquiátricos onde recebeu tratamento de eletrochoques. Depois disso, Pirsig dedicou-se a escrever manuais técnicos de computadores, até conseguir publicar seu livro em 1974.

O nome de “Zen” faz referência a “A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen”, obra do filósofo alemão Eugen Herrigel, que introduziu esse pensamento oriental no ocidente. Como o autor avisa logo na nota introdutória, o “livro baseia-se em fatos reais.(…) No entanto, não deve ser associado ao vasto conjunto de informações relativas à prática ortodoxa do Zen-budismo. E a parte das motocicletas também não é lá muito ortodoxa”. Toda a história se passa em dezessete dias, no final dos anos 60. A primeira parte do livro é um relato da viagem de Robert com o filho Chris e um casal de amigos John e Sylvia. John, um baterista, tem um sério problema para lidar com tecnologia. Para ele, viajar de moto é uma fuga da “civilização moderna”. O autor, por outro lado, adora saber como cuidar da motocicleta, como a máquina funciona e faz os reparos, ele mesmo, em sua moto. Em cima de suas observações sobre o ódio de John contra tecnologia é que Pirsig começa a desenvolver suas primeiras divagações filosóficas. A princípio tímidas, essas divagações vão, ao longo do livro, tomando o papel principal, em detrimento dos relatos da viagem. E vão sendo organizadas no que o autor define como chautauquas, “séries de palestras que visavam edificar, divertir, aprimorar o raciocínio e fornecer cultura e informação ao espectador.” É através dessas chautauquas que os capítulos se estruturam cada um com um tema que abrange filosofia, educação, ciência, arte e manutenção de motocicletas. Mas esses pensamentos não são ideias soltas, são parte de uma teoria maior que ficamos sabendo não ser de autoria do autor, mas de um fantasma do passado, Fedro, cuja identidade só vai ser revelada quando já terminamos um terço do livro. Para explicar a postura de John e a sua própria, Pirsig divide o mundo entre “Românticos” e “Clássicos”. Emoção e Razão. Arte e Tecnologia. Unir essas duas visões de mundo e provar que “o Buda pode estar nos circuitos de um computador” será a sua missão.

O resumo – *A partir daqui a resenha contém spoilers.

A viagem pelas estradas dos Estados Unidos prossegue. Depois que sofreu os eletrochoques, o autor apagou muito de sua memória. Andando pelas vias secundárias, mais vazias e próximas da natureza, ele cruza o país e vai se embrenhando em suas recordações. Houve um tempo em que foi professor na Universidade de Montana e o governo conservador do estado decidiu que todos maiores de 18 anos, mesmo que não tivessem ensino médio, poderiam estudar na Universidade. E as reprovações de alunos seriam punidas com multa. Para defender a Universidade “de verdade”, Fedro, que nós descobrimos surpreendentemente ser o autor, antes do surto, cria a teoria da “Igreja da Razão”. Para explicar a teoria ele usa o exemplo de um prédio de igreja rural que tinha se tornado um bar para o horror do padre local. No entanto, aquela igreja não era mais uma igreja, era apenas uma estrutura criada para atender o objetivo de servir a Deus, que não mais funcionava para isso. Assim como, por mais que a comunidade criticasse um sermão do padre por ser chato, ele não deveria se abalar, pois não estava ali para servir a comunidade e sim a Deus. A Universidade também não estava lá apenas para servir a comunidade e sim para servir a razão. E se ela continuava com sua estrutura física e mudava sua função, seu compromisso com a razão, ela já não era mais uma Universidade. Com o tempo, Fedro foi perdendo a fé na razão pura. E para explicar isso, o autor faz um breve resumo das idéias de Kant e Hume. Fedro interessa-se, então, pelas filosofias orientais e vai para Índia estudar.

Sylvia, John e Chris
Na terceira parte do livro, Sylvia e John voltam para casa e a viagem passa a ser só de pai e filho, que vão aproveitando os longos dias para reconstruir o relacionamento, abalado desde o período de loucura paterna, sua internação e posterior divórcio. Chris também tem apresentado alguns problemas psicológicos, o que preocupa seu pai. No entanto, absorto em suas reflexões, o autor não consegue penetrar no escudo criado pelo filho, mantendo uma relação fria com o garoto. “Qualquer realização que vise à autoglorificação fatalmente termina em tragédia”, explica Pirsig, enquanto escala uma montanha com o filho. Não devemos escalar a montanha para provar que somos os maiores, o segredo está na escalada em si. Como a arte da manutenção da motocicleta que pode trazer a paz de espírito. O trabalho manual foi muitas vezes rejeitado pelos românticos como algo desprezível em comparação às grandes artes, mas não é ele também uma forma de arte? “Para melhorar o mundo, devemos começar pelo nosso coração, nossa cabeça e nossas mãos, e depois partir para o exterior. Os outros poderão imaginar maneiras de expandir o destino da humanidade. Eu só quero falar sobre o conserto de motocicletas. Acho que o que tenho a dizer tem valor mais duradouro”, explica Pirsig. Mais à frente ele crava: “O trabalho produz brio”.Em seus flahsbacks, vemos Fredo criar sua teoria da “qualidade” partindo de Kant passando pelo Tao e por Hegel e chegando a Poincaré. É interessante poder acompanhar o caminho do filósofo rumo à formação de sua teoria. Aos poucos, uma questão que começou com as aulas de redação de Fedro vai crescendo e tomando forma: “A Qualidade é o evento que torna possível a inter-relação sujeito objeto”. “A Qualidade é a reação de um organismo ao seu objeto”. A Qualidade é semelhante ao Tao, “a grande força central geradora de tudo”. Seria então a “Qualidade” o elo entre a ciência, as artes e a religião? “A arte é a Divindade revelada nas obras humanas”. “Conforme disse Poincaré precisa haver uma escolha subliminar dos fatos a serem observados”. À medida que o autor vai se embrenhando no raciocínio genial de Fredo, ele também se embrenha em sua loucura e começa a ter pesadelos e falar dormindo. Agora que conhecemos a “Metafísica da Qualidade”, o livro vai chegando ao fim e talvez a sanidade do autor também.No final do capítulo ele introduz o conceito de “Mu”, palavra japonesa que significa nenhum. Nenhuma classe: nem um, nem zero, nem sim, nem não. Significa exatamente “desfaça a pergunta”.

Agora esta viagem pelo mundo da filosofia e pelo interior do autor está em seus últimos quilômetros. Pirsig revê os últimos dias de Fredo, quando esse descobre a origem do pensamento racional do homem em Aristóteles e a ideia de “Qualidade” dos sofistas que foi enterrada por Sócrates e Platão. Para isso ele faz uma análise dos pais da filosofia grega e do próprio homem grego. Desenterra o conceito de aretê do homem grego, tradicionalmente traduzido como virtude, mas que o autor prefere definir como superioridade. Era o que impulsionava o homem grego a praticar atos de heroísmo, não o senso de dever que conhecemos, em relação aos outros, é um senso de dever em relação a si mesmo, termo irmão da palavra sânscrita dharma, que significa “dever para consigo mesmo”. O herói da Odisséia, de Homero, era um grande lutador, um orador decidido, sabe arar a terra e tosquiar um boi. Despreza a eficiência em um aspecto da vida, em detrimento da vida em si mesma. Despreza a especialização em uma coisa só. Fedro rompe então com a Universidade onde estudava para obter seu PHD e que insistia em glorificar o pensamento aristotélico. Depois disso viria a crise e a internação. O autor tem medo de sofrer outra crise e pensa em parar a viagem por ali e mandar o filho de volta para casa. Mas antes disso ele precisa resolver sua relação com o garoto, garantindo assim, sua própria sanidade.
Depois daquela viagem
Robert M Pirsig vive isolado do mundo exterior viajando de barco com sua mulher. Só lançou um segundo livro em 1991, chamado “Lila – uma Investigação Sobre a Moral”, no qual se propõe a definir melhor sua Metafísica da Qualidade. O livro não obteve o mesmo sucesso que “Zen”. Em 1979, Chris, o filho de Pirsig foi esfaqueado até a morte na saída do Centro Zen que freqüentava. É como se no final de “Zen”, quando o autor finalmente se reconcilia com o garoto, ele fosse profético: “Naturalmente os problemas jamais deixarão de existir. A infelicidade e o infortúnio fatalmente ocorrerão em nossas vidas, mas agora sinto algo que antes não sentia, que não se localiza apenas na superfície das coisas, mas as permeia até a medula: nós vencemos. Agora tudo vai melhorar. A gente pode até garantir”.

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Trilogia suja de Havana, Pedro Juan Gutiérrez – Resenha

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por Fred Di Giacomo

Em todas as biografias do cubano Pedro Juan Gutiérrez – nascido em 27/01/1950 – você vai encontrar as informações de que ele é um Henry Miller dos trópicos( Mesmo que Miller também tenha seus trópicos de Câncer e de Capricórnio) ou um Bukowski que trocou o whisky barato por rum vagabundo. Você também vai saber que este filho de sorveteiro já teve as mais variadas profissõesdesde os onze anos de idade: vendedor de jornais, instrutor de caiaque, cortador de cana de açúcar, operário agrícola, soldado, locutor de rádio e jornalista.Mas porque tanta preocupação com a vida do autor? Porque a escrita de Pedro Juan, assim como dos autores acima citados, é autobiográfica. O personagem principal de sua principal obra é um ex-jornalista careca, que vive de bicos próximo ao Malecon – calçadão barra-pesada de Cuba – traçando todas as mulheres que pode, enquanto tenta fugir das crises que se abatem sobre sua cabeça. Uma das crises é a econômica que varreu Cuba a partir dos anos 90 com o fim da URSS e o endurecimento do embargo norte-americano. Outra, a crise pessoal que fez o autor pensar diversas vezes no suicídio, como deixa claro em alguns trechos de sua obra e em entrevistas: Sempre sonhava em pular dali(do beiral do prédio) e sair voando e me sentir o cara mais livre do mundo.

“Trilogia Suja de Havana” são três livros – reunidos em um só volume – escritos dolorosamente entre 1994 e 1997. Todos são formados por pequenos contos e crônicas que se entrelaçam formando uma única narrativa, a história de Pedro Juan e seus vizinhos miseráveis, se virando para sobreviver na ilha. Alguns pontos são sempre reforçados pelo autor repetitivamente, como se para exorcizar um trauma, como se tivesse que afirmar diversas vezes aquela realidade até que ela se tornasse ficção. Algumas das frases que vão criando o clima de cotidiano na obra: No total vivem 50 pessoas (amontoados no cortiço). Subo os oito andares até o terraço. (O elevador está sempre quebrado). Não precisa muito: algum dinheiro, comida, um pouco de rum, charutos e uma mulher. Nessa filosofia de vida, Pedro Juan se assemelha muito a Henry Miller que dizia que só queria Um punhado de livros, um punhado de sonhos e um punhado de vulvas. Fazendo uma rápida análise subjetiva, o primeiro volume “Ancorado na Terra de Ninguém” é muito autobiográfico, trazendo um Pedro Juan que parece ter acabado de largar o jornalismo, com alguns amigos intelectuais, seu filho adolescente, sua busca pelo equilíbrio zen. “Nada para fazer”, escrito cerca de um ano depois, é mais depressivo. O alter-ego do autor está ainda mais mergulhado na miséria, mais marginal, cínico, transformado quase num cafetão egoísta. A terceira parte “Sabor a Mi” é a mais ficcional. Alguns de seus contos nem são narrados em primeira pessoa, os narradores se multiplicam em uma rica fauna caribenha que vai de traficantes de drogas, à uma mulher violentada por ladrões, passando por uma temporada de dois anos de Pedro Juan preso por se prostituir em Cuba. (Coisa que Gutiérrez afirma nunca ter feito na vida real, em entrevista dada a revista Playboy).

Em “Trilogia”, Pedro Juan é um jornalista desempregado, que abandonou o trabalho por não querer mais fazer matérias parciais, nas quais não pode mostrar a realidade do país. Por isso se dedica à literatura e seu “realismo sujo”. No entanto, o Pedro Gutiérrez de carne e osso trabalhou como jornalista até publicar seu livro em 1998. Formado em 1978 pela “Universida de La Habana” mediante um curso especial para trabalhadores, ele teve que ficar fora de Cuba três meses divulgando suas obras na Espanha. Quando retornou foi demitido da revista “Bohemia”, da qual era colaborador, por ter, supostamente, se ausentado sem permissão. Sobre a demissão Pedro Juan fala, sem criticar muito o governo, em entrevista para a Playboy: O governo até me convidou, no ano passado, para promover “A Melancolia dos Leões”(obra de realismo fantástico de Guitiérrez). Cuba não é uma ditadura policial, onde vão te dar um tiro se você criticar o governo. Mas podem tornar as coisas difíceis para você. Eu, por exemplo, fui banido da profissão de jornalista.

Mesmo, tendo emprego enquanto escrevia sua primeira e mais conhecida obra, Gutiérrez também teve que fazer alguns biscates – única alternativa, junto com a prostituição, que resta aos personagens de “Trilogia”. Em “Os Canibais”, conto da última parte do livro, um dos personagens chega a vender fígado humano, fingindo ser fígado de porco. Aquilo é uma mistura de realidade e ficção. Eu não lidava com latinhas, nem com fígado, muito menos humano. Vendia canecas, isqueiros, bonés, explica o autor. Assim como a maioria de seus personagens, Pedro Juan dá um jeito de sobreviver. Se é atacado pela polícia(O que há de mais próximo de um delinquente é um policial), pela fome e por ciclones, ele responde com muito sexo: promíscuo, sensual, quase ginecológico de tão descritivo. Mulatas, brancas, negras, velhas e jovens, gordas e magras. Sujas, suadas, cansadas, todas envolvidas em uma orgia que atravessa as páginas de cada conto. Em certo momento o narrador se preocupa: transou com mais de 20 mulheres em um ano e tem medo da Aids. Quando não se escora no sexo, enche a cabeça de rum, o mais barato que tiver, ou maconha, charutos, ou mesmo uma simples gargalhada para lhe animar o moral e não fazer como os fracos que se atiram de cima dos velhos edifícios de Havana. É isso que eu quero: aprender a rir às gargalhadas de mim mesmo. Sempre, mesmo que me cortem os ovos, diz em “Esmagado pela merda”, história na qual conhece um velho diabético que teve as pernas e os testículos amputados graças às diabetes. Ou então: Estava pensando em todas essas coisas e de repente me levantei com um pulo e ri. Amplamente. Um bom sorriso, desnecessário e absurdo, é um tônico. Sempre dá resultado comigo, de “Solitário resistindo”. Segundo o Gutiérrez, alguns autores tem fixação por crimes e arranjam diversas maneiras diferentes de matar seus personagens ao longo de novelas policiais. Já ele tem fixação por sexo, e por isso este se torna personagem principal de sua obra. Talvez o horror à morte aliado à obsessão pelo ato sexual, esteja incrustado no próprio DNA de sobrevivência de Pedro Juan. Ele nega a possibilidade da morte, do fracasso, do suicídio, se agarrando desesperadamente ao prazer de seus orgasmos, em uma atitude freudiana.

Em uma entrevista à revista Bravo!, na época do lançamento de “Trilogia Suja de Havna”, Gutiérrez diz que só conheceu Bukowski e Henry Miller pouco tempo antes de terminar o livro. Talvez sua proximidade com os dois esteja na resolução que tomou aos vinte anos para se tornar um bom escritor: Tengo que tener muchas mujeres, viajar todo lo que pueda y conocer todo tipo de gente. Sua primeira paixão platônica foi aos 8 anos por uma puta, e sua primeira vez aos 17 com uma bezerra. Sua pintura e sua escrita também tem influência dos quadrinhos norte-americanos, que leu às dezenas em sua infância, desde que se alfabetizou quando tinha entre 6 e 7 anos. De outra de suas influências, Ernest Hemingway, Gutiérrez leva a profissão de fé: “um escritor precisa manter o detector de merda funcionando.” Esse lema está presente em todo o conto “Eu, revirador de merda”, de “Ancorado na Terra de Ninguém”, como se pode perceber nos trechos:

Este é meu ofício: revirador de merdaA arte só serve para alguma coisa se for irreverente, atormentada, cheia de pesadelos e desespero.

Quem atinge o repouso em equilíbrio está perto demais de Deus para ser artista.

Mas, e afinal, descrevendo tanta miséria, e ainda assim amando Cuba, Pedro Juan e sua “Trilogia Suja de Havana” estão ao lado de Fidel ou de seus opositores, exilados em Miami? O autor evita entrar em discussões ideológicas ao máximo. Sua obra está no limite entre jornalismo e ficção. Na tênue linha que diz que Hunter S. Thompson é jornalista que e Burroughs é escritor. Não há grandes teorias ou elucubrações, seu texto retrata o submundo cubano como se fosse uma fotografia, uma reportagem que busca a utópica objetividade, que dá voz aos personagens reais, para que eles deixem nas páginas o registro de suas existências, sem fazer muito juízo de valor. Quando a revista Veja tenta tirar uma declaração mais política de Gutiérrez ele responde: É incrível o comentário que li no Miami Herald. Eles não falam de literatura, falam como se eu fosse um político. As leituras dos dois lados me dão raiva, porque diminuem o valor de meu trabalho literário e tentam me manipular. Por isso trato de me afastar o máximo possível da política. Façamos a vontade do autor e encerremos esta resenha com o fim do raio-x de sua literatura crua, sensual, sincera e desesperada. Os governos mudam, mas a natureza humana permanece igual.

-Leia resenha de “Trópico de Câncer”, de Henry Miller

 

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