Ouça o disco novo “mundo livre s/a vs Nação Zumbi”

Capa do disco "Mundo Livre s/a vs Nação Zumbi"

Quando a Deck Disk lançou o álbum “Raimundos vs Ultraje a Rigor” (com uma banda fazendo covers de sucessos da outra), eu confesso que achei um lance meio caça-níqueis. Talvez porque o Ultraje já tenha regravado diversas músicas em álbuns ao vivo, acústicos e de covers. Ou talvez tenha sido só preconceito mesmo. Acontece que agora a Deck está lançando esse lindo e sensacional “Mundo livre s.a. vs Nação Zumbi” com as duas bandas fundadoras do movimento mangue beat gravando covers uma da outra. Vai ouvindo enquanto eu falo:

Bom, o lado do Mundo Livre s/a abre a bolachinha e é uma das coisas mais energéticas e “jovens” que eles gravaram em anos. E olha que eu acho o último disco de inéditas deles (“Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa”) bem bom. Mesmo sendo um disco de regravações (de muitas das melhores canções da da fase Chico Science e algumas da Nação Zumbi), eles não seguiram o caminho fácil do cover e investiram em ótimas versões com arranjos criativos e psicodélicos – ora muito pops, ora porradas punks como as que gravaram em seu segundo disco “Guentando a Ôia”. É engraçado que influências do começo de carreira deles como Clash e Titãs parecem ressurgir quando Fred 04 e cia regravam músicas de seus velhos chapas de Recife. O lado da Nação Zumbi também é bom, com destaque para primeira música (“Livre Iniciativa”) que ficou mais “hit” que a original e traz coloridos novos para a tradicional fórmula da Nação. O mal desse lado da bolacha é um mal antigo: o vocal do Jorge du Peixe continua lá monocromática e um pouco cansativo. Pra quem é fã, maravilha. Já quem acha o estilo do cantor repetitivo vai enjoar rápido. Destaque também para  a safada”Bolo de Ameixa” que abre com um riffão de guitarra pesada.

O clima todo do disco – apesar da ótima e intrincada produção – é de uma grande celebração entre amigos. Uma celebração pelos mais de 20 anos de mangue beat e de amizade entre as bandas. E funciona pro movimento pernambucano como os discos “O Barulho dos Inocentes” e “Feijoada Acidente?” (do Ratos de Porão) funcionaram para o punk nacional. Compra aí que vale a pena!

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