Clássicos Underground: “Golden hits by…”, Thee Butchers Orchestra

Em 2001 o rock brasileiro andava mal das pernas: Rodolfo, vocalista dos Raimundos (recém convertido ao cristianismo), havia abandonado seu grupo no auge; o Planet Hemp tinha acabado para que Marcelo D2, líder da banda carioca, seguisse em sua carreira solo de samba-rap; e as rádios (quando tocavam rock) eram dominadas por hardcore melódico e rebeldia pasteurizada. CPM22 e Tihuana ditavam as fórmulas copiadas por outros clones menos famosos – assim como um Charlie Brown Jr que se repetia cada vez mais. Já faziam quatro anos que Chico Science tinha morrido e que o Sepultura havia perdido Max Cavalera e sua repercussão internacional.

Mas havia uma luzinha brilhando (barulhenta) no final do túnel…

Capa do disco "Golden Hits By", recheado de pérolas garageiras

No meio desse marasmo musical, uma cena independente começava a despontar com bandas garageiras e rock n´roll como os Forgotten Boys (na época um trio que lançara seu excelente primeiro disco homônimo) e o Thee Butchers Orchestra (a “Orquestra de Açougueiros”). Ambas as bandas paulistanas dividam o palco e o amor por rock n’ roll clássico e bandas de garagem americanos, dos anos 60 e 70, como o MC5.

O Butchers era composto por duas guitarras distorcidas e uma batera alucinada (nos moldes do John Spencer Blues Explosion, apesar deles não curtirem muito essaa comparação). A banda liderada por Marco Butcher (guitarra e vocais) e Adriano Cintra (guitarra, vocais e futuro integrante da banda Cansei de Ser Sexy) lançou seu primeiro disco (depois de algumas demos) em 2001. O título – “Golden hits by…” pode soar pretensioso, mas fazia jus às intenções do trio: era um apanhado de riffs poderosos, som alto e sucessos em potencial para sua festinha indie favorita. 

O cd de capinha rosa abria com “Black Ceasar”, que poderia estar numa trilha sonora de Quentin Tarantino, e desfilava fusões de suingue com barulho como a fantástica “She Said”, o riff grudento e garageiro de “Uncle Black” e, o cover do The Oblivians, “Nigger Rich”. Ainda valem ser citadas “Feelings on Fire” movida por uma bateria quebrada e carregada de vocais inspirados e o punk soul de refrão matador “Got me in a Hook”. O som soava como uma mistura indie e pesada do blues de John Lee Hooker, o pré-punk do Mc5  e o rock n’ roll dos Stones com pitadas de… Ike e Tina Tuner!

Nos shows do Thee Butchers Orchestra o coro comia solto

Os shows do Butchers eram um capítulo a parte: energéticos, insanos e dançantes faziam os pequenos palcos do país pegar fogo. Eu tive a oportunidade de assisti-los em Bauru, no saudoso AudioGalaxy, em 2003, e a performance dos caras era realmente foda.

Baixe, compre ou roube, mas escute este pequeno clássico do underground brasileiro com o SOM NO TALO.

 

Thee Butchers Orchestra tocando no programa Musikaos (TV Cultura), em 2001.

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