Wander Wildner – o pai do punk brega – dá entrevista na época de sua volta para os Replicantes

Wander Wildner foi a primeira pessoa a ficar incomodada comigo numa entrevista. E olha que, em 2003, praticamente todas as entrevistas pro zine KAOS! eram feitas por e-mail. Lembro que, quando recebi as respostas dele, percebi que o cara não gostou muito das perguntas sobre a “cena punk dos anos 80”. Na época, o KAOS! era um zininho punk e ingênuo e eu sempre queria passar a limpo algumas polêmica que lia em fanzines e sites toscos. Uma delas eu matei na entrevista com o Mau dos Garotos Podres, que se defendeu das acusações de serem uma banda nazista.

Eu, com minha experiência de segundo ano de faculdade, achei a entrevista do Wander meio mal-humorada e só publiquei no site, não coloquei no zine impresso. Hoje, acho que foi bem boa, ele respondendo com ironia o que não gostava, mas também soltando perolinhas de sua filosofia punk brega como: “A vida é muito simples, é só achar algo legal pra fazer! “.  Wander é sem dúvida uma das grandes figuras do rock nacional.
Certo, Wander, a vida é muito simples e, reajustando as contas com o cara que deu nome pra este blog, aí vai a entrevista com o Punk Brega em carne e osso, na época em que tinha voltado a tocar com os Replicantes:
***

1.Bom, os Replicantes estão com uma turnê internacional marcada, quais as expectativas? Vocês têm alguma noção de quanto o trabalho de vocês é conhecido lá fora?

Acho que eu não tenho expectativas. Vou para fazer shows. Creio que será uma grande aventura, vou para lugares que nunca fui, mas não fico imaginando coisas, apenas me preparo física e psicologicamente para uma série de shows e viagens, acho que vai ser bem legal.

2.Vamos voltar um pouco no tempo. Por que o Wander Wildner saiu da banda e como foi que rolou essa volta?

Saí porque fiquei a fim. Voltei porque eles me convidaram, eu aceitei porque gosto da banda, das músicas, sou um cantor, é uma das minhas profissões.

3.O fato de vocês virem do sul atrapalhou no início da carreira, já que a cena punk mais forte rolava em São Paulo?

Como assim virem do sul? Nós não saímos do sul e fomos para algum lugar. A banda sempre viveu em Porto Alegre e saía para fazer shows, gravar, divulgar. Vocês parecem ter alguma ideia pré-concebida sobre bandas, os Replicantes são uma banda original, criamos a nossa própria estrada, somos independentes, mesmo as vezes gravando numa grande gravadora.

4.Hoje em dia como vocês vem o movimento punk dos anos oitenta? Dá pra fazer uma comparação com a cena hardcore atual?

Eu não vejo. Nunca fizemos parte de movimentos deste tipo. O único movimento em que acredito é o meu próprio, de ir e vir.

5. É verdade que rolava um preconceito de bandas punks como RDP e Olho Seco em relação aos Replicantes? Isso ainda acontece?

Não sei. Como não nos preocupamos com isso, não sei. Prefiro usar meu tempo trabalhando.

6. O que tem rolado no aparelho de som de vocês ultimamente?

Walverdes, Os Pistoleiros, Stuart, Beck, Qassis, Bob Dylan, Neil Young, Sonic Youth…

7. Como anda a carreira solo do Wander Wildner? Há planos pra mais lançamentos do “Punk Brega”?

Estou com um disco pronto, procurando parceria para lançamento – chama-se PÁRA-QUEDAS DO CORAÇÃO – e tenho outros projetos.

8. Os discos originais dos Replicantes nunca foram lançados em cd (Só uma coletânea com 20 Hits) , há chance de vermos esses clássicos relançados?

Acho que sim, vamos entrar em contato com a gravadora mais tarde para ver isso.

-Todas as entrevistas postadas aqui

9. Que sons não poderiam faltar na “Festa Punk” dos Replicantes?
Sex Pistols!!!

10. Várias letras antigas da banda tinham uma temática meio apocalíptica, bem Guerra Fria. O que vocês acham dessa volta do clima de tensão depois do 11 de setembro e a Guerra no Iraque?

Acho que o acontecimento do dia 11 serviu para mostrar as possibilidades de futuro que podem acontecer, que a maioria das pessoas não estavam se dando conta.

11. Agora as infames questões rápidas, o que vocês pensam a respeito de :
a) George Bush – UM AMERICANO TÍPICO
b) MPB – ADORO OS CLÁSSICOS E O CORDEL DO FOGO ENCANTADO
c) Engenheiros do Havaí – HUMBERTO É UM MESTRE
d) Anarquismo – LEGAL

12. Vale a pena fazer rock no Brasil?Claro! Se não valesse eu não faria, vivo disso.

Qualquer mensagem ou recado pra molecada sintam-se a vontade…
A vida é muito simples, é só achar algo legal pra fazer!

Replicantes na Alemanha, 2006

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4 thoughts on “Wander Wildner – o pai do punk brega – dá entrevista na época de sua volta para os Replicantes

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  2. Legal, Fred! Acompanhando o Wander realmente dá pra ver que foram respostas verdadeiras. Ele é um cara simples, acho que se realmente tivesse se importunado com suas perguntas nem teria respondido nada! hehehe O cara é muito legal 😀

    • Verdade, Marina! Resolvi dar uma editada nesse meu texto que escrevi há bastante tempo. O Wander é um cara legal e foi bem gente fina de responde as perguntas de um moleque de 19 anos pra um zine desconhecido, hehehe

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