Meus amigos voltam da Europa querendo que o Brasil seja um país de primeiro mundo.

Meus amigos voltam da Europa querendo que o Brasil seja um país de primeiro mundo. Eles querem ciclovias, uma linha de metrô que cubra a cidade inteira, praças, limpeza urbana e direitos civis.


Sim, hoje em dia tenho amigos que vem e vão da Europa todo ano. Não era assim na pequena vila em que me criei em Penápolis. Lá, os amigos tinham um pouco menos de grana. Sendo realista, o Brasil todo tinha menos grana. Foi daquele buraquinho no interior que assisti os anos caóticos do Plano Cruzado 2, o Plano Collor, o Impeachment… E depois uma certa estabilidade do Plano Real. Saí de Penápolis no ano da eleição do Lula.

A vida tem sido boa pra mim de lá pra cá.

Grande parte dos meus amigos que voltam da Europa querendo que o Brasil seja um país de primeiro mundo moram em São Paulo, capital. Só que eles não votam em São Paulo. Eles trabalham em São Paulo, ganham dinheiro em São Paulo, gastam em São Paulo, encaram o trânsito de São Paulo… Eles começam, até, a ter filhos paulistanos. Só que seus títulos de eleitores são de Penápolis, Vitória, Porto Alegre, Recife, São Bernardo… Eles deixam a decisão de quem vai governar a cidade onde vivem nas mãos de uma entidade fantástica conhecida como “paulistano”. E aí toda a culpa de a cidade onde moramos no Brasil não ser como a Europa fica na mão desse ser “conservador”, “malufista”, “atrasado”. Esse ser que vai eleger um prefeito de terceiro mundo para reinar sobre cidadãos que sonham em morar no primeiro mundo. Ou, então, eles votam no Russomano mesmo.

Meus amigos voltam da Europa querendo que o Brasil seja um país de primeiro mundo. Meus amigos votam no Brasil querendo que tudo fique na mesma. E assim tudo segue igual, “Eta vida besta, meu Deus”.

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