Carta aos pais (Ou o que o filme “A Dama de ferro” e pais idealistas podem ensinar pra você.)

Punk Brega interrompe suas atividades paranormais para fazer uma pequena análise de “A Dama de Ferro” com pegada de autoajuda.

Ah, o maravilhoso mundo dos clichês! Nem sempre ser clichê é um problema. Na real, alguns clichês merecem ser repetidos sempre porque é necessário que eles fiquem guardadinhos lá na memória da gente. Destaco um dos que me parece fazer mais sentido: “a principal herança que os pais podem deixar pros filhos é a educação.”

Meryl Streep na pele de Margaret Thatcher

(Calma! Não desista de ler, o momento autoajuda já acabou)

Acabei de assistir ao filme “A Dama de Ferro”, sobre os feitos (e a velhice gagá) da ex-primeira-ministra da Grã-Bretanha Margaret Thatcher. Não vou gastar linhas desse blog com a brilhante atuação (ganhadora do Oscar) de Meryl Streep no filme. O ponto que me tocou, em particular, foi a relação de Thatcher com o pai, um pequeno comerciante e político conservador inglês que a incentivou a:

1)Estudar
2) Não seguir o lugar-comum
3) Fazer a diferença no mundo.

Confesso, o tiozinho idealista me lembrou meus pais. E, que fique claro, meus velhos estão longe de serem pequenos comerciantes conservadores. Os dois são professores de esquerda, daqueles que escolherem trabalhar com educação pública pra fazer do mundo um lugar melhor. E, provavelmente, devem achar Thatcher a encarnação do demônio (E aí, pais, vocês acham isso mesmo?). Mas são mais parecidos com o pai da “dama de ferro” do que podem imaginar. Como o velho comerciante inglês do filme, meus pais não me deixaram rios de dinheiro de herança e nem me bombardearam com milhares de cursos extra-curriculares na adolescência, mas me deram duas ferramentas essenciais: amor por aprender e pensamento criativo. Acredito – pela minha pequena experiência no mercado de trabalho, na faculdade e na escola – que tudo que você aprende em cursos (línguas, informática, meditação e datilografia) entra na categoria de ferramentas para executar boas ideias. Se você tiver amor por aprender vai conseguir absorver o conhecimento necessário para sua atividade e, mais importante, vai se adaptar quando esses conhecimentos não forem mais essenciais e novos paradigmas aparecerem. O mais difícil, e o principal diferencial, é ter as tais boas ideias e saber planejar sua execução. Essa é a característica mais rara de encontrar quando quero achar alguém pra trabalhar na minha equipe. Gente que pensa “fora da caixinha”, que tem raciocínio lógico e que quer fazer o mundo rodar do melhor jeito possível.

Meus pais em algum momento do começo dos anos 80

Se eu consegui passar perto disso em alguns momentos da vida, devo muito ao que aqueles dois professores dos cafundós de Penápolis me deram do melhor jeito que sabem fazer as coisas: ensinando.

E pra acabar nosso post de autojuda, vamos com o filósofo e best-seller Chico Science: “se você tiver numa bifurcação e precisar escolher um dos caminhos, escolha o menos percorrido”.

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

7 thoughts on “Carta aos pais (Ou o que o filme “A Dama de ferro” e pais idealistas podem ensinar pra você.)

  1. Fred
    Quase morri de emoção,me deu uma vontade enorme de te abraçar,abraçar o menino lindo que tinha muita vontade de descobrir tudo.Te amo .beijos

  2. Até hoje, mesmo fazendo mais de 30 anos sem conviver com eles e há mais de 10 sem ve-los, continuo constantemente pensando no que seus pais pensariam das minhas decisões e/ou atitudes que tomo.
    Mesmo sem o convívio, a conversa e o carinho da presença, continuam sendo meus grandes amigos.
    Já eram modernos desde antes do Chico Science ter nascido. Continuarão sempre à vant guard. Morar em Paris e pensar em Alemão, não é fundamental nem nunca limitou o universo das grandes almas. Morar em Penápolis, falar Portugues e criar filhos que produzem esse seu texto é a prova cabal. Ser filho de pais desse nipe é um privilégio de poucos. Seu texto conciente me deixou muito feliz. Saudades.

  3. Pingback: Vale a pena largar tudo para mudar o país? (ou “A melhor herança ainda é a educação”.) | Glück Project

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.