>Apocalypse Now: retrato existencialista de um dos maiores nadas da história

originalmente postado em Dezembro de 2007
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Retrato existencialista de um dos maiores nadas da história

Flash 1: A visão área da mata tropical no sudeste asiático. Flash 2: Helicópteros bombardeiam uma aldeia de mulheres e crianças ao som das Valquírias de Wagner. Flash 3: Um assassino emerge do pântano com uma faca na mão. Flash 4: O horror!

A seqüência de imagens vêm a cabeça daqueles que assistiram Apocalipse Now(um dos clássicos do diretor Francis Ford Coppola) retrato acidamente poético da Guerra do Vietnã, relançado há algum tempo na “versão do diretor”.

Criticado por Glauber Rocha e elogiado por Paulo Francis, o longa-metragem lançado em 1979 deixou poucas pessoas neutras. Baseado no livro de Joseph Conrad(Coração das Trevas), o filme é um dos raros exemplares de adaptação que se iguala ou até supera a obra original. Para isso, Coppola mudou drasticamente o cenário: das selvas do Congo para o Vietnã, do período neocolonialista para a Guerra Fria. O enredo mantém os elementos básicos do romance; o coronel Kurtz está louco, Willard será o homem designado para eliminá-lo.

No longa, Kurtz – vivido pelo já gordo, mas não menos talentoso , Marlon Brando – é um personagem misterioso que teria visto o horror da guerra nos olhos e se tornado insano. Perdido na busca pela razão dos ser humano, o coronel acaba se tornando um assassino, aspirante a Deus, que passa a agir independentemente, nem ao lado dos americanos, nem ao lado dos vietcongues. Willard (vivido por Martin Sheen) é um capitão do exército sem laços com o mundo. (Recém separado da mulher sente que o Vietnã é “seu lar”.) Sua missão é secreta: terá que subir o rio com uma pequena tripulação(O sério chefe do barco; Clean, um adolescente negro; Lance, um surfista da Califórnia e Cheff, um cozinheiro de New Orleans.) até a divisa com o Camboja.
No caminho se desenrolará toda uma viagem existencialista, uma busca, um conflito com a selva, com nosso lado animal, com a tênue linha que nos separa das mais brutais das bestas, no mais brutal dos jogos humanos: a guerra. De fundo, a trilha sonora eficiente, que inclui o clássico “The End” dos Doors, cruzando perfeitamente com as imagens, formando o videoclipe do final dos tempos.

A idéia de Apocalipse Now Redux era dar ao público a versão original do filme como pensada por Francis Ford Coppola, antes dos cortes propostos pelo estúdio para torna-lo mais “vendável”. Pode cheirar a caça-níquel, mas não, as cenas realmente acrescentam à narrativa do filme. São três trechos principais: o roubo da prancha do Coronel Kilgore, a cena em que Willard e seus homens transam com as coelhinhas da playboy em troca de combustível e uma longa seqüência na fazenda de uma família de colonos franceses, que é a mais importante de todas. Nessa cena o diretor faz as críticas mais diretas ao conflito do Vietnã através da fala dos fazendeiros. Lá aponta-se todo o vazio da guerra, toda a falta de sentido. Num dos diálogos o antigo oficial questiona Willard: “por que vocês estão lutando nessa guerra? Por nada. Esse é o maior nada da história” ou como diria Kurtz olhando nos olhos da morte : “o Horror”…

 

Fred Di Giacomo. 27/09/03
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3 thoughts on “>Apocalypse Now: retrato existencialista de um dos maiores nadas da história

  1. Texto massa prum filme do caralho! Mais um zumbi ressuscitado dos tempos da Watchtower… hehe! Já assistiu o documentário sobre as filmagens, o “Hearts Of Darkness – A Filmaker’s Apocalypse”? É muito bom. Tenho ele aqui em Divx, se te interessar até te gravo num CD-R (mas tá sem legenda!).

    E acabei nem colando lá no Garage Fuzz no sábado… fiquei “de bode” nesse findi. :/ Mas quinta-feira tem Chris Cornell – quero só ver se ele ainda tá no pique da época Soundgarden…

    (E qto às listinhas… eu sei q cê vira o rosto pro Arcade Fire, mas pô – ouve com atenção que é a banda é F O D A ! 🙂

    Falou! Abraços…
    10 de dezembro de 2007 23:35

    Mais detalhes sobre o doc que falei aqui, ó: http://www.rottentomatoes.com/m/hearts_of_darkness_a_filmmakers_apocalypse/

  2. Pô, não assisti ainda não… É bom? Grava pra mim! E o do Bukowski? Eu vi no seu orkut uma vez… Cê já assistiu completo? Vou tentar dar mais uma chance pro Arcade Fire, muita gente legal está falando bem…
    Abrax!
    11 de dezembro de 2007 01:52

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