Nosso GG em Havana, Pedro Juan Gutiérrez

O escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez

O escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez

-Outras resenhas de livros

por Fred Di Giacomo

GG pôs a mão no bolso e pegou umas moedas. O homem se despediu imediatamente. A cidade sob a chuva era ainda mais bonita. Olhou o panorama por alguns minutos. Sentiu que a atmosfera estava mais fresca e limpa. Bateram na porta. Traziam uma bandeja de prata com uma garrafa de uísque, gelo, água e copos. Serviu uma dose generosa, com pouca água e dois cubos de gelo, e, sorrindo, parcimoniosamente, brindou a si mesmo olhando para a cidade molhada:

– Bem-vindo a Havana, mister Greene. O senhor é nosso hóspede de honra.

Não espere aqui o Pedro Juan Guitiérrez que escreve com o fígado em “Trilogia Suja de Havana”. Em seu novo ciclo literário – no qual se insere “Nosso GG em Havana” – o cubano escreve com o cérebro. O livro é rápido. As frases continuam curtas. Sexo, sangue e rumba ainda marcam sua presença. Mas essa não é mais uma obra autobiográfica sobre a Cuba contemporânea. Aqui Guitérrez traz uma trama de espionagem e mistério, envolvendo o escritor britânico Graham Green (de “O Americano Tranquilo”). Se for pra traçar um paralelo com Bukowski – com quem Gutiérrez é sempre comparado – este seria o seu “Pulp”, momento em que o velho Buk deixou de lado a autobiografia para se aventurar pelas histórias de detetive fantásticas.

A Cuba de “Nosso GG em Havana” não é nem a ilha dos anos 60, marcada pela revolução de Fidel Castro, e nem o Estado agonizante que muitos retratam hoje em dia. Pela escrita crua de Gutiérrez, nós somos levados ao país pré-revolução, quando cassinos, prostitutas e turistas americanos eram os principais elementos do cenário caribenho. Carrões potentes e modernos rodavam pelas ruas infestadas de gringos. Mafiosos controlavam o jogo e mulatas sensuais enlouqueciam a imaginação.

Capa do livro "Nosso GG em Havana"

Capa do livro “Nosso GG em Havana”

É nesse cenário dos anos 50, que Pedro Juan cria sua trama fictícia – pincelada de situações fantásticas – envolvendo Green, boxeadores decadentes, o famoso e bem dotado Super-Homem, caçadores de nazistas e organizações secretas comunistas. Não tem o mesmo fôlego e inspiração de suas obras anteriores e peca pela “pressa do autor em acabar o livro”, mas é uma dose curta um coquetel que mistura ritmos caribenhos, sangue e sacanagem.

– Leia análise da “Trilogia Suja de Havana”, de Pedro Juan Gutiérrez
– Resenha do livro “Misto Quente”, de Charles Bukowski

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