5 discos injustiçados do rap nacional

Existem algumas unanimidades do hip hop nacional: mídia e fãs adoram Racionais Mc’s, todos respeitam a história doThaíde, Sabotage virou herói, etc. Nada contra, os três são excelentes artistas brasileiros, mas sempre senti um pouco de preconceito com as grupos que incorporaram elementos de rock ao seu som, ou contra MC’s que não tenham vindo diretamente das comunidades pobres. Por isso fiz a lista abaixo. Talvez, daqui uns anos, ela seja bem indexada no Google e gere polêmica. Muita gente pode reclamar: “Pô, o que esse cara entende de rap, deve ser mó playboy, etc.” A intenção aqui não é cagar regra, mas provocar reflexão e tentar resgatar discos bons que não seguem a cartilha do hip hop nacional clássico. Quem não tiver preconceito vai se surpreender.

-Mais listas
-Sabotage cantando a bela “Cabeça de Nêgo”

Faces do Subúrbio – Faces do Subúrbio

Lançado originalmente de forma independente, o disco de estreia dos recifenses do Faces do Subúrbio misturava não só o rock com rap, mas também embolada(ritmo tradicional brasileiro que lembra o hip hop), acrescentando pandeiros à pick up e guitarras. A banda teve bastante destaque na onda do Mangue Beat, mas nunca chegou a ser popular em São Paulo. É um bom disco pra quem se interessa pela fusão de hip hop com ritmos nacionais.

Ouça:Homens Fardados“, “Os Tais” e “P.P.O.R”
Eu tiro é onda – Marcelo D2


Seguindo na mistura de ritmos nativos com as batidas do rap, encontramos “Eu tiro é Onda”, primeiro álbum solo de D2 e pioneiro na mistura de hip hop com samba e bossa nova. “Pô, cara, mas D2 injustiçado?”, você pergunta. Obviamente o MC carioca fez muito sucesso com seu segundo álbum(“A procura da batida perfeita”), mas muita gente do hip hop mais tradicional ainda torce o nariz pro D2, tanto por seu som ser mais pop, quanto por ele ter um passado roqueiro/mainstream.

Ouça:1967“, “Samba de Primeira”, “Eu tive um sonho”
3)Cadeia Nacional – Pavilhão 9


Antes do fenômeno “Sobrevivendo no Inferno”, o Pavilhão 9 foi o grupo de rap mais comentado de São Paulo. Venderam 10.000 discos rapidamente, foram capa da Veja SP e contaram com a participação de Marcelo D2, Nação Zumbi e Sepultura em seu terceiro disco. O grupo se apresentava mascarado e se servia de fartas doses de rock pesado para compor seu som. O problema é que a aproximação com o rock os afastou dos puristas do hip hop, mas não os habilitou para o sucesso no mundo rock ‘n’ roll. Perdidos entre duas tribos, o grupo deixou essa pancada clássica para quem não se importa com rótulos.

Ouça: Mandando Bronca“, “Opalão Preto” e “Otários Fardados”.

4)Gabriel, o Pensador – Gabriel, o Pensador

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A importância do primeiro disco de Gabriel, o Pensador pro rap brasileiro é análoga ao surgimento dos Beastie Boys nos EUA: “Rapper branco de classe média, em um momento em que o hip hop era visto com preconceito pela sociedade, consegue destaque com o som negro e abre caminho para as grandes bandas do gênero”. É bobagem ficar menosprezando o trabalho do Pensador por sua classe social ou sua cor. Crítica, com rimas espertas e bases cruas, essa é uma das estreias mais impactantes da música brasileira e merecia ser respeitada como uma das boas bolachas do rap brasuca.

Ouça: “Lôraburra”, “Retrato de um Playboy”, “Tô Feliz(Matei o presidente)

5)Câmbio Negro – Câmbio Negro

Saída das quebradas de Ceilândia, a banda liderada pela voz grave de X teve uma trajetória parecida com o Pavilhão 9. Começaram fazendo hip hop tradicional com DJ e depois acrescentaram guitarra, baixo, bateria e influências de rock pesado. Além dos grooves de “Esse é meu país” e “Círculo Vicioso”, o disco conta com a sinistra “Um tipo acima de qualquer suspeita” sobre um tarado que ataca mulheres de todas as cidades até acabar na cadeia “chupando de todo mundo, chamando de meu bem”. Um dos melhores e mais criativos álbuns de rap nacional

Ouça: “Esse é meu país”, “Círculo Vicioso” e “Um tipo acima de qualquer suspeita“.
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7 thoughts on “5 discos injustiçados do rap nacional

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  3. Nunca vi o cd do D2 ser discriminado. Injustiçado é o Rappin Hood, q desde 95/96 vem fundindo samba e rap, mas nunca creditou-se a ele o pioneirismo. Os Racionais conseguiram invadir o Brasil inteiro sem ajuda direta da grande mídia, o Planet Hemp foi a última banda a pegar a era das grandes gravadoras e ele sim talvez seja o responsável por grande parte das portas abertas ao rap. O Gabriel, O Pensador quebrou, pra uma classe mais elitizada, o estereótipo do rapper gangsta, e acho q só não é mais aceito pelos ouvintes porque o discurso dele não flui naturalmente, enquanto ele fala de política outros mcs vem com uma pegada storytelling, q acaba sendo melhor assimilada. Contudo, O Pensador é um puta produtor cultural e tem sim seu respeito pela cena de rap, desde q quem fala dos cds de rap não crie estereótipos sobre os ouvintes de rap.

  4. corrigindo, o Pensador fala de política *de forma mais alheia ao cotidiano das favelas, mesmo apresentando histórias, não flui com tanta intimidade, como o RZO, por exemplo*… Mas esse papo, de novo, segrega mais os ouvintes de rap do q os próprios artistas q atravessam todos os universos musicais numa boa.

    • Oi, David, obrigado pelo comentário! Na real, só quis jogar uma luz pra discos que não são tão ouvidos e considerados por quem curte rap. MAS eu também fiz várias outras listas sobre hip hop que tem Racionais, RZO, etc. Se se interessar, dê uma olhada nas listas de pioneiros do rap e clássicos do rap. grande abraço!

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