6 discos para começar a ouvir jazz

Essa lista não pretende ser um top 6 melhores discos de jazz.

Eu não sou “entendido” em jazz.

Fui um adolescente punk e ,em geral, gosto de música redonda, feliz e cantarolável. Na verdade, quando era moleque eu odiava jazz. Era o som que meu pai colocava de manhã quando acordávamos para ir à escola. Eram os discos que ele deixava sempre rodando no carro. Não tinham distorção, refrões e muitas vezes nem vocal.

Mas quando vim pra São Paulo, o amigo Gabriel Gianordoli me apresentou alguns clássicos do jazz que me fizeram gostar da coisa. “Love Supreme”, “Kind of Blue”, “Time Out” e “She was to good to me” entram nessa conta. “Porgy and Bess” é um disco cantarolável e reúne dois gigantes que quem quer começar a se aventurar no estilo deve conhecer. Bom, era pra ser um top 5, mas resolvi incluir o primeiro solo do Jaco aqui. Deste eu gostei quando ainda era “roqueiro”. O cara é pro baixo o que o Hendrix é pra guitarra, então pode agradar quem tem resistência a pianos e raízes blues.

Espero que ajude quem quer conhecer este estilo considerado “chato” e “difícil”. Você também pode usar os nomes de discos para parecer cool numa conversa. You choose.

“A Love Supreme” – John Coltrane(1965)


A Love Supreme” conseguiu ser o único disco de jazz a se tornar meu álbum favorito por um certo tempo. A viagem espiritual do saxofonista Coltrane com seu quarteto genial se resume a 4 faixas: “Acknowledgement“(com uma linha de baixo hipnótica e o coro repetindo “a love supreme” no final), “Resolution”, “Pursuance” e “Psalm”, essa última uma versão musicada de uma oração registrada por Coltrane no encarte do álbum. Acho que é o som mais espiritual que fizeram, desde a invenção do mantra “om”.

Kind Of Blue” – Miles Davis(1959)


Miles Davis é o maior adversário de Louis Amstrong na briga pelo trono de rei do jazz. O trompetista passeou por diversos estilos, lançou meia dúzia de discos essenciais e se tornou unanimidade com “Kind of Blue”, álbum que tem até um livro inteiro dedicado só pra ele. Disco de platina quádrupla, sempre liderando listas de melhores do jazz, a bolacha ficou em 12º lugar na lista pop de “500 melhores álbuns da história” da revista Rolling Stone . A influência da bolachinha modal escapa dos terrenos do jazz e se espalha por rock e música clássica.

“She Was To Good To Me” – Chet Baker(1974)

Um trompete tocando a nota certa a cada segundo, compondo melodias assobiáveis mesmo nos improvisos. Algumas canções orquestradas, algumas cantadas numa voz bossanovista. Um dos caras mais cool do jazz no comando do som. Ouça só o começo com “Autumn Leaves” e “She Was to Good to Me” e tente não se apaixonar.

 

Time OutThe Dave Brubeck Quartet(1959)

Um dos álbums de jazz mais vendidos da história, “Times Out” quebra o ritmo do jazz brincando com ritmos turcos, valsas e swing. Bruebeck era da turma do jazz branco da costa oeste – assim como Chet Baker – e sua composições eram mais aceitas que o bebop ácido da costa leste. “Take Five”(que era pra ser só um solo de bateria de Joe Morello) entrou nas paradas da Billboard e é citado como influência até de bandas de rock como “Os Mutantes”.


“Porgy and Bess”
– Louis Amstrong e Ella Fitzgerald(1957)

“Porgy and Bess” é a versão jazz mais famosa da ópera de Geroge Gershwin e reúne dois dos maiores nomes do estilo: o carismático e genial Louis Amstrong e a diva Ella Fitzgerald. É um bom começo para quem não tem saco para som instrumental e ainda incluí o clássico “Summertime”.

Mesmo que não consiga a unanimidade de outros figurões dessa listinha, o primeiro disco solo de Jaco Pastorius é bem popular entre os fãs de jazz e seu som costuma agradar quem está mais acostumado com rock ‘n’ roll. Contando com Herbie Hancock nos teclados e Wayne Shorter no sax soprano, as 9 faixas incluem sons mais funks, uma faixa com vocais e a genialidade que levaria Jaco ao posto de maior baixista da história.

-Compre o primeiro disco de Jaco Pastorious

Se ainda assim você achar jazz um saco, se liga nos nossos posts de punk rock

Veja também:
-O evangelho segundo Louis Amstrong
-Lista com documentários legais sobre rock ‘n’ roll
-Ilustração de Charles Mingus por denisdme

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2 thoughts on “6 discos para começar a ouvir jazz

  1. rkenski disse…
    Jazz não é punk, nem brega. É coisa de jornalista querendo ser sofisticado. O próximo passo é aprender a degustar vinho. Você é uma fraude. 🙂
    28 de março de 2010 15:12
    Frico disse…
    hauhauahua. Vc é fã de Clash e música clássica . Beethoven é mais punk que Coltrane?
    28 de março de 2010 15:33

  2. Pingback: 6 bandas que eu gosto e ninguém gosta | Punk Brega

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