>-Que tal um pouco de literatura punk?
Mini-Resenha da autobiografia do principal compositor dos Ramones
-Leia resenha do primeiro disco dos Ramones
Ele vai narrando, sem tomar muito fôlego, como foi sua infância infeliz na Alemanha, como eram seus pais, sempre bebendo e brigando, como foi sua adolescência na Nova York de “Taxi Driver”, seu envolvimento com crime e drogas, muito antes de ter pelos na cara. Dee Dee Ramone era um junkie marginal, para quem a única salvação era a música. Se tivesse nascido no Brasil de hoje, ele faria Rap mais violento que “Facção Central”. Ele não tocava bem, mas compôs alguns dos maiores clássicos do punk como “Blitzkrieg Bop”, “Pet Seamatery” e “Poison Heart”, só para ficar entre os mais conhecidos. Ele parece não ter noção da importância das coisas que ia vivendo. Para Dee Dee, cada dia é só mais um dia que ele conseguiu sobreviver, seja o primeiro show dos Ramones na Inglaterra, influenciado toda uma geração de bandas que vão de Sex Pistols à Clash, seja uma noitada com membros do New York Dolls ou do Blondie.
Em todo livro ele avisa que se acha muito sortudo por estar vivo. Que a história de um Ramone não pode ter um final feliz. E ela não tem. No epílogo somos lembrados que Douglas Calvin, o Dee Dee, morreu num quarto de hotel, em 2002, aos 49 anos. Os Ramones eram caras fodidos e durões, mas que conseguiram fazer músicas enérgicas que passam longe da depressão bundona. Eles enfrentaram seus demônios com distorção e velocidade. E isso é o mais importante de toda história.

Parabéns! Falou tudo sobre nosso querido Dee Dee. Ele não tinha um coração envenenado: tinha uma alma amargurada e em troca de toda amargura que recebeu da vida e do mundo deixou o melhor que tivemos na vida: o melhor dos Ramones.