>Diário Catarinense

>”Querido diário”,

Cheguei em Floripa num sábado meio nublado(24/01) depois de 12 horas num ônibus convencional, que me fizeram quase perder o medo de avião. (Medo adquirido depois de uma péssima primeira experiência de viagem, em oito horas rumo aos EUA, com direito a turbulência mega, sensação de queda e meu primo que era, teoricamente, um viajante experiente, acordando desesperado gritando de medo). O taxista era um ex-músico gente fina, com forte sotaque português(na verdade o sotaque dos”manezinhos da ilha” locais), que foi me contando suas histórias de shows e gravações através do longo caminho até o Sambaqui, no norte da cidade. (Observação importante: em Florianópolis tudo é longe e cortado por rodovias, como se fossem várias pequenas cidades com características próprias ligadas por estarem na mesma ilha).

Confesso que minha primeira impressão depois de um trajeto longo o suficiente para dar 40 reais de táxi, foi de que eu estava num vilarejo isolado, sem nenhum dos confortos que um paulista que vive na “capital-londres-brasuca-que-chove-o-dia-todo”, desfruta diariamente. Meu lado hipocondríaco neurótico insistia em perguntar: “se eu tiver um ataque cardíaco, onde se encontra o hospital mais próximo, por favor?”. Mas essa visão logo foi dissipada quando conheci nossa pousada, simples mais confortável, o “Pouso da Poesia”, dirigido por Raul Longo, um jornalista/publicitário aposentado, que herdou do Bukowski o fígado, o rosto e o gosto pelo cigarro(que ele estava tentando largar pela quinta vez). Raul disse que seu passatempo favorito e “contar mentiras para os hóspedes novos”. Falsas ou não, suas histórias são saborosas. Quando ficou sabendo que eu e minha namorida, Bárbara dos Anjos, éramos jornlistas da Editora Abril, ele contou que seu pai era conhecido do velho Victor Civita, quando este ainda editava o Pato Donald no fundo do quintal. E que o próprio Raul tinha perdido o cabaço jornalístico na Editora da arvorezinha verde, escrevendo roteiros das histórias do Mickey e Cia, das fotonovelas da Capricho e encerrando sua passagem por lá na célebre revista Realidade.

Depois da conversa e do café da manhã, nossa amiga Anita veio nos buscar para uma volta no bairro, um pólo gastrônomico da ilha, ainda não devastado pelos turistas, lar de boêmios, intelectuais e artistas. O pai da Anita, Celso Martins, é um jornalista respeitado em Floripa, sempre atrás de pautas sobre a cidade e ecologia, fumando um cigarro atrás do outro, e contando histórias de quando a ilha era o porto mais importante do sul do Brasil.

Depois desse primeiro passeio ainda conhecemos a praia da Daniela, nos entupimos de camarão e cerveja no bar Restinga(o dos bonecos de Boi Mamão) e fomos dormir quebrados com a missão de desbravar mais meia dúzia de praias em nossa curta estada em Santa Catarina.

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